PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Esse mesmo que vem, invariavelmente,
parodiar o sol e associar-se à lua,
quando a sombra da noite enegrece o poente.

Um, dois, três lampiões acende e continua
outros mais a acender, imperturbavelmente,
à medida que a noite, aos poucos, se acentua
e a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita!
Ele, que doura a noite e ilumina a cidade,
talvez não tenha luz na choupana que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
crenças, religião, amor, felicidade,
como esse acendedor de lampiões da rua!

Jorge de Lima, União dos Palmares-AL, (1895-1953)

Um comentário em “O ACENDEDOR DE LAMPIÕES – Jorge de Lima

  1. Jorge era Poeta modernista, da safra do início do século XX.

    Nasceu rico, estudou nas melhores escolas, médico, romancista, pintor, político, resolveu tratar da consciência fazendo poemas sociais e conviver bem com seus pares.

    Como eu sempre digo, isso vem de muito tempo atrás.

    Nunca mudaram nada, pelo contrário sempre vivem das benesses do estado.

Deixe um comentário para João Francisco Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *