PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!

Jorge de Lima, União dos Palmares-Al, (1893-1953)

Um comentário em “O ACENDEDOR DE LAMPIÕES – Jorge de Lima

  1. O pensamento marxista elitista existe desde a virada do século XIX para o XX.

    O poeta alagoano fala do coitado do acendedor de lampião das ruas que talvez nem luz tenha em casa.

    O cara tem um emprego (acendedor de lampiões públicos) nem todas as casas da rua são de gente rica. Insinuar que este cara não tenha em casa nenhuma forma de iluminação (lembremos que a eletricidade nem existia) é muita cretinice.

    Pensamento de uma elite que fala da pobreza sem nunca ter conhecido um pobre.

    O final do soneto então…

    “Tanta gente também nos outros insinua
    Crenças, religiões, amor, felicidade,
    Como este acendedor de lampiões da rua!”

    Estaria ele criticando as religiões, dizendo que pregam o que não seguem?

    É de cagar.

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