A PALAVRA DO EDITOR

Em outubro de 1986 – já lá se vão 35 anos -, este pernambucano de Palmares foi honrado com um convite para para representar o Brasil no Festival Internacional de Autores de Toronto (International Festival of Authors), no Canadá, um dos maiores eventos do gênero no mundo.

Entre várias outras celebridades literárias, naquele ano também participaram a inglesa Angela Carter, o best-seller americano John Irving (Irving teve vários romances transformados em filmes), a canadense Alice Munro (Prêmio Nobel de Literatura de 2013) e o israelense Amos Oz, todos grandes nomes da literatura mundial. 

Amos Oz, o mais importante escritor israelense, indicado para o Prêmio Nobel de Literatura em 2002 e que encantou-se em 2018, era um dos meus dois colegas na mesa de refeições, no hotel onde ficamos todos hospedados, e se tornou um grande amigo. Além de talentoso ficcionista, era também um excelente contador de histórias.

Antes de mim, outros escritores brasileiros já haviam participado do evento: João Ubaldo Ribeiro, Lígia Fagundes Telles,  Moacir Sclicar e Gianfrancesco Guarnieri.

Pois naquele ano em que estive lá, uma produtora canadense realizou um documentário sobre o festival intitulado “Voices on the Water“.

Detalhe: a produtora me pediu permissão para filmar minha apresentação no evento. Lembro-me que assinei um documento autorizando e que me pagaram um excelente cachê. Coisa de país de primeiro mundo, que dá muito valor a esse importante detalhe chamado direito autoral.

Pra todo lugar que a gente ia, lá estava a equipe de filmagem nos seguindo. Nos filmaram até nas Cataratas de Niagara, durante um passeio providenciado pela direção do festival.

Este Editor inxirido passeando de barco nas Cataratas de Niagara, ao lado da colega Argentina

Isso sem falar na mordomia completa, que não deixava faltar nada. Como não tinha cachaça, aí eu enchia a cara de uísque!!! Tudo por conta da casa.

O evento, realizado no Teatro Harbourfront, às margens do Lago Ontario, durou uma semana, de segunda a sexta. Minha apresentação aconteceu logo no primeiro dia. Ingresso caro e casa lotada, público finíssimo.

O Festival consistia na apresentação de quatro autores a cada noite. Dois, um intervalo, e mais dois.

Conforme o regulamento, os autores que não eram de língua nativa inglesa, como era o meu caso, liam um pequeno trecho de um livro seu em sua língua nativa. Segundo me informaram, para que o público sentisse o que eles chamavam de “musicalidade do idioma”. Mesmo sem entender nadinha!

Depois, um leitor, um “reader”, providenciado pela direção do festival, lia a tradução em inglês de um trecho da obra daquele escritor.

Eu tinha um capítulo d’O Romance da Besta Fubana traduzido pro inglês por uma professora da Universidade de Iowa, nos EUA. Uma americana, professora de português. E foi um trecho dessa tradução que foi lido naquela ocasião.

O documentário sobre o festival dura 58 minutos e está linkado no final desta postagem.

Na abertura, logo nos primeiros dois minutos, aparecem os nomes de todos os participantes.

Prestem atenção e vejam que o nome deste pernambucano inxerido está lá. No meio de um monte de gente importante.

Eu apareço em alguns trechos do documentário, falando meu inglês com sotaque palmarense, aprendido no Curso Ginasial com o saudoso professor Amaro Matias.

No vídeo abaixo, com duração de pouco mais de dois minutos, temos a abertura e algumas cenas que Aline selecionou onde eu apareço.

Para assistir ao vídeo completo, com 58 minutos de duração, clique aqui.

18 pensou em “NUM OUTUBRO HÁ MUITOS ANOS

  1. Ex aequo… E já espalhei pelo oco do mundo, para amigos e inimigos. Nestes instantes me pergunto como um cabra de tal envergadura aceita um cronista mequetrefe como Sancho em seu time. É cada coisa que a vida nos reserva, não é mesmo? Toda premiação em que consta Luiz Berto Filho como um dos agraciados é justa, muita justa, justíssima.

    Y me siento bendecido de poder considerarlo un amigo. ¿qué más puedo pedir, Berto?

  2. Um dos brilhantes momentos da sua vida literária está eternizado nesta rica postagem, querido Escritor Luiz Berto.
    Parabéns por ter sido escolhido para representar o Brasil no Festival Internacional de Autores de Toronto (International Festival of Authors), no Canadá, um dos maiores eventos do gênero no mundo.
    É uma honra para nós, colunistas do JBF, termos como timoneiro, um Escritor do seu naipe, dono de um talento literário ímpar.

    Grande abraço.

    • E veja você, Vivi.
      Na abertura do JBF, no topa das postagens, o cabra escreve que é dono de um currículo sem qualquer saliência digna de nota. Imagine se o fosse… kkkkk

  3. Berto, meu amigo. A gente precisava de mais escritores enxiridos como você, pra transformar o mundo em convivências mais inteligentes, mais bem humoradas, pancontinentais e intergaláticas.

    Luiz Berto Filho. Embaixador Palmarense e do Nordeste para o Mundo.

  4. Parabéns, querido amigo.
    Apesar de ainda não recuperado totalmente, não poderia deixar de me juntar ao coro dos seus admiradores. Já assisti ao vídeo e também compartilhei com alguns amigos.
    Infelizmente a sua grandiosa atividade, que também é literária, junto ao JBF, não lhe permitirá outras premiações, face os critérios unicamente ideológicos das ditas “academias”.
    Não faz mal, amigo.
    O reconhecimento você já tem.
    Saudades de você, e de voltar a interagir nos nossos espaços.

  5. Verdade, Sancho!

    Mesmo sendo dono de uma inteligência privilegiada e um talento literário ímpar, consagrado nacionalmente, e até internacionalmente, Luiz Berto não procura ostentar orgulho, e faz questão de valorizar os colunistas do JBF.

    Enquanto isso, há tipos que são fracos de modéstia e simplicidade.rsrs .

  6. Parabéns, grande Berto, pelo convite internacional que merecidamente recebeste, fruto de tua imensurável erudição e de tua exacerbada capacidade intelectiva. Fizeste bem em publicar nos anais do JBF essa honraria extramuros. Num distante porvir, indubitavelmente farás parte do Panteão Literário dos notáveis escritores brasileiros. ¡Felicitaciones! ¡Enhorabuena!

  7. Berto, caro amigo, eu tenho um orgulho dando de ter ouvido essa história na varanda do seu apartamento, da sua própria boca.
    O Brasil estava muito bem representado nesse encontro de autores.
    Grande abraço, amigo!

  8. Assisti ao vídeo todo… Achei emocionante.. Uma preciosidade!

    Parabéns, Luiz Berto, pelo brilhantismo! Você se destacou!!!

    Grande abraço.

  9. Cabra Arretado !
    E ainda edita uma gazeta escrota !
    Obrigado por compartilhar essa passagem da sua letrada jornada .
    Saudações Fubânicas.

  10. É um prazer muito grande poder, desde aqui da longínqua Itapeva, desfrutar da amizade ainda que virtual, do excepcional escritor Luiz Berto.
    Toda homenagem lhe é mais do que merecida, caro amigo.

  11. Nossa Senhora
    14 comentários. Tive que espiar e descobri que Berto tem uma cambada de puxa-sacos.
    Deixando de lado a filha é claro.
    Falando sério agora. Não tem muito tempo que venho interagindo nesta gazeta (antes era apenas leitora) e mantendo contato com o Editor da mesma. A cada dia fico mais envaidecida por ter sido “adotada” por ele. Quando penso que já estou entendendo e conhecendo o Berto ele aparece com mais uma brilhante passagem de sua existência como esta que estamos comentando. Um cabra arretado, humilde, gentil, sereno (que gosta de cochilar após o almoço), atencioso, inteligente e dono das palavras. Faz delas o que quer e sempre com genialidade. Se vocês estão achando que aqui tem mais uma puxa-saco estão redondamente enganados. Não precisam “achar”. Podem ter certeza.
    Um abraço no seu coração Berto.

  12. Cabra competente da porra. Também dono de uma ficção única do gênero. Simplesmente fantástico.beijo no coração.

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