4 pensou em “NORMAL, NORMAL. TUDO NOS CONFORMES

  1. Se vivo fosse, “Bezerra da Silva” estaria completando 99 anos hoje, dia 23 de fevereiro. Ele nasceu em Recife no ano de 1927 e faleceu no Rio de Janeiro, em 17 de janeiro de 2005. Foi tido como o “Embaixador das Favelas”, sendo um cantor icônico, compositor e intérprete de samba. Radicado no Rio, retratou com humor e realidade a vida nas periferias, as injustiças sociais e o cotidiano da malandragem, tornando-se um dos sambistas mais populares do Brasil nos anos 80. Ele cantava de forma magistral e sem medo contra as injustiças sociais, sobre o abismo social das favelas, dos morros e da população marginalizada, sempre com uma pitada de humor ácido e crítico. Em seus quase 50 anos de carreira, passeou por gêneros musicais como o coco e o samba – em especial gênero de partido-alto – e vendeu mais de três milhões de discos. Pois é, em sua homenagem sugiro aos leitores do JBF ouvirem a música de sua autoria e Criolo Doido – “Vítimas da Sociedade”, do álbum” Malandro Rife”, de 1985. Que a meu ver continua bastante atual. Mais ainda no caso do Banco Master. Música disponível no YouTube. Segue a letra:
    Vítimas da Sociedade
    Bezerra da Silva e Criolo Doido

    E se vocês estão a fim de prender o ladrão
    Podem voltar pelo mesmo caminho
    O ladrão está escondido lá embaixo
    Atrás da gravata e do colarinho
    O ladrão está escondido lá embaixo
    Atrás da gravata e do colarinho

    Só porque moro no morro
    A minha miséria a vocês despertou
    A verdade é que vivo com fome
    Nunca roubei ninguém, sou um trabalhador
    Se há um assalto a banco
    Como não podem prender o poderoso chefão
    Aí os jornais vêm logo dizendo
    Que aqui no morro só mora ladrão
    Falar a verdade é crime
    Porém eu assumo o que vou dizer
    Como posso ser ladrão
    Se eu não tenho nem o que comer
    Não tenho curso superior
    Nem o meu nome eu sei assinar
    Onde foi se viu um pobre favelado
    Com passaporte pra poder roubar
    No morro ninguém tem mansão
    Nem casa de campo pra veranear
    Nem iate pra passeios marítimos
    E nem avião particular
    Somos vítimas de uma sociedade
    Famigerada e cheia de malícias
    No morro ninguém tem milhões de dólares
    Depositados nos bancos da suíça
    Se vocês estão a fim de prender o ladrão
    Podem voltar pelo mesmo caminho
    O ladrão está escondido lá embaixo
    Atrás da gravata e do colarinho
    O ladrão está escondido lá embaixo
    Atrás da gravata e do colarinho
    Se vocês estão a fim de prender o honesto
    Podem voltar pelo mesmo caminho
    Os catorze estavam escondido lá embaixo
    Atrás da gravata e do colarinho
    O ladrão está escondido lá embaixo
    Atrás da gravata e do colarinho

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