MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

Valei-me São Zé Limeira!
Me ajude com seu repente,
Trazendo até minha mente
Inspiração verdadeira.
Para, da sua maneira,
Com destreza e competência,
Juntando arte e ciência,
Contar, desse jeito seu,
O que foi que aconteceu
No dia da independência!

Dia sete de setembro,
Na beira de uma lagoa,
Dom João entrou na canoa,
Se gritou, eu não me lembro.
Ficou lá até dezembro,
Sem nenhuma providência.
Portugal pediu clemência,
Um padre virou ateu.
Tudo isso aconteceu
No dia da independência!

Quando Dom Pedro Primeiro
Empunhou a espingarda,
Respingou lama na farda
De um soldado marinheiro.
A mulher do sapateiro
Chegou fazendo exigência.
Não teve vossa excelência
Que aquietasse Zebedeu.
Tudo isso aconteceu
No dia da independência!

Tava uma chuva pesada
Na beirada do Ipiranga.
Um doido, chupando manga,
Ficou lá, sem dizer nada.
Dona Flor, que era casada
Com Zé de Dona Inocência,
Na hora da emergência,
Deu um grunhido e correu.
Tudo isso aconteceu
No dia da independência!

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