Bondes, já não há,
nem amigos, nem pernas,
sequer um anjo torto …
Atrás do bigode e dos óculos, eu,
triste, por Deus abandonado.
Menos mal que um conhaque e uma lua
tornam minha tarde azul
ainda que em meio a tantos desejos.
O mundo seria tão bom
se eu me chamasse Drummond:
rima e solução
para alegrar minha única face,
felizar meu coração …
* * *
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O mais curioso nesta bela crônica do grande Xico ( como todas as outras ) é começar com “ Bonde “ . Um nome que existe só no Brasil. Em Portugal, por exemplo, é “ Comboio “ . E por que é bonde no Brasil?, eis a questão. Por conta da “ Bond and Share “ , a empresa que explorava trens urbanos no Rio. Mais uma prova de cultura inútil. Viva Xico!!!
Do ponto de vista poético, desprezada a origem etimológica da palavra, sou mais ‘bonde’ que ‘comboio’. Dez mil vezes! Abraço, Dr. Zé Paulo.