PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A J. Emídio Amaro

Ó minha terra na planície rasa,
Branca de sol e cal e de luar,
Minha terra que nunca viu o mar
Onde tenho o meu pão e a minha casa…

Minha terra de tardes sem uma asa,
Sem um bater de folha… a dormitar…
Meu anel de rubis a flamejar,
Minha terra mourisca a arder em brasa!

Minha terra onde meu irmão nasceu…
Aonde a mãe que eu tive e que morreu,
Foi moça e loira, amou e foi amada…

Truz… truz… truz… Eu não tenho onde me acoite,
Sou um pobre de longe, é quase noite…
Terra, quero dormir… dá-me pousada!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

Um comentário em “MINHA TERRA – Florbela Espanca

  1. Florbela chama a morte.

    Perdeu a mãe e o irmão; as pessoas que ela mais amava.

    Passou pela vida e não se fixou a ninguém nem a nada.

    O poema é linda forma (se é que isso é possível) de anteceder talvez a uma tentativa de tirar a própria vida.

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