Quando o sol ao nascente se levanta,
Espalhando os seus raios sobre a terra,
Entre a mata gentil da minha Serra,
Em cada galho um passarinho canta.
Que bela festa! Que alegria tanta!
E que poesia o verde campo encerra!
O novilho gaiteia, a cabra berra,
Tudo saudando a natureza santa.
Ante o concerto desta orquestra infinda
Que o Deus dos pobres ao serrano brinda,
Acompanhada da suave aragem.
Beijando a choça do feliz caipira,
Sinto brotar da minha rude lira
O tosco verso do cantor selvagem.

Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, Assaré-CE (1909-2002)
Toscos são os outros.
Os versos desse cantor selvagem são danados de bom.
Estes versos me fazem entrar no ambiente rural descrito.
Sinto o cheiro do orvalho da manhã, do café feito no coador de pano, do pão caseiro, a manteiga fresca.
E ainda tem gente que não acredita em Deus. Quem mais poderia ser responsável por toda esta beleza?
Com certeza são versos que me fazem sentir melhor.
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