Cada dia pesam mais
Meus caçuás de janeiros.
Mote de Pedro Fernandes
Ao Poeta Nascimento
Igualzinho um pé de vento
Depressa o tempo passou
Atualmente eu estou
Com o mesmo movimento
Que tem aquele jumento
Dos nossos velhos tropeiros
E as varas dos marmeleiros
Batendo nos meus costais.
Cada dia pesam mais
Meus caçuás de janeiros.
Meu carro-de-boi dos anos
Com o tempo de trabalho
Empenou o cabeçalho
A mesa tem vários danos
Os cocões (Rudes sopranos)
Que embalavam os carreiros
Subindo os desfiladeiros
Em meio aos canaviais
Cada dia pesam mais
Meus caçuás de janeiros.
Comparo a minha jornada
A este carro-de-boi
Que no passado já foi
A obra mais estimada
A canga nova adornada
Por expessos tamoeiros,
Dois resistentes rodeiros
Ferrados com bons metais
Cada dia pesam mais
Meus caçuás de janeiros.

Poesia de extrema qualidade.
Obrigado, Anne Caroline!
Grande abraço!