Alguém a quem prezo e respeito disse-me um dia que eu brinco com as palavras. Tomei como elogio. Muito diferente de quando, engravatado e de paletó, vivia procurando malfeitos nos Bancos, Consórcios e Cooperativas de Crédito, a serviço do Banco Central do Brasil. Brinco, sim, de calção e camiseta, sem gravata a apertar-me pescoço, pés livres e descalços. E gosto de brincar inventando palavras novas. Chamam isso de neologismo. Eu chamo de invencionice. Ontem mesmo inventei a palavra ‘manoelbandeirar’, que significa viver em Poesia, se alimentar de versos, bebericar rimas. A meu projeto musical dei o nome de Forroboxote, que quer dizer absolutamente coisa alguma. Nada mais doce que gracejar com um verbo, adular um adjetivo, acariciar um pronome, com tudo que de substantivo há. Brincar com as palavras, pula-pular no vernáculo, escorregar em conjunções, enfim. Se soubesse disso antes, não teria perdido tempo nos balcões burocráticos da vida à caça de malfeitores do alheio. Quase 30 anos sem esse ‘belezolhar’ que hoje cultivo. Um dia, quem sabe, eu invente um verbo intransitivo tão bonito como Teadorar? Claro que seria pretensão fazer o que Bandeira fez … mas tentar, como brincar, é humano!
XICO COM X, BIZERRA COM I

Xico Bizerra continua brincando com as palavras.
É meu único afazer, Valter Portela. Abraço
Um cidadão que tem por nome “ Xico “ , é um complemento “ Bizerra “ , com I, não pode mesmo respeitar nem a língua nem a gramática. Seja, então, para todos os fins de Direito:
Viva Xico Bizerra.
Há braços.