
Sábado recente, final de tarde, reúno amigos queridos que gostam de minha música para pequeno evento de autógrafos no disco mais novo. Um diletíssimo amigo, sempre acompanhado de sua esposa (eles sempre me honram com a presença em encontros da espécie), perguntou-me quantos paletós eu tinha e como eu gostaria de ser enterrado, quando o meu dia chegasse. Respondi a primeira indagação dizendo do destino que dei aos meus paletós após a aposentadoria, assim como também fiz com minhas gravatas e sapatos. Paletós, remanesce um, para eventuais casamentos mais ‘soçaites’. Gravatas, nenhuma. Cortei-as todas, exceto uma presenteada a um outro amigo estimado. Sapatos, dos dois pares preservados, nenhum deles vê meus pés há pelo menos três anos. Voltando ao outro tema da conversa disse ao meu amigo – consagrado nos afazeres literários e reconhecido unanimemente no meio jurídico, ser adepto da teoria do ’daqui, nada se leva’. Então, para ser coerente com a máxima que defendo, disse-lhe que gostaria de ser enterrado, daqui a alguns anos, da mesma forma como ao mundo cheguei: nu, completamente nu e descalço, coberto por flores do pescoço aos pés. Ele riu, deve ter achado engraçado (ou ridículo, sei lá!) o meu último desejo. Senti-me à vontade para sugerir-lhe, também, a vestimenta a ser por ele usada em sua despedida final. Contrariei-o por não concordar que levasse sobre o peito uma das muitas comendas recebidas em vida, como desejava. Seria cafona e não combinaria com sua trajetória vitoriosa nesse mundão de meu Deus. Descobri que da mesma opinião desfrutava sua esposa, o que me deixou mais tranquilo com a sugestão que lhe dei. Bastaria, disse-lhe, que se vestisse como em vida, com seus inseparáveis suspensórios e, no bolso da camisa, bem à vista dos presentes ao funeral, um bom e perfumado charuto. Apagado, naturalmente. Assim como ele estará nesse dia, que, espero e desejo, demore muito a chegar.
Este magnífico casal citado por você, querido amigo Xico, mora na minha estima.
Tenho uma apreciação enorme pelos dois.
E repito a última frase do seu texto: espero que esse dia demore muito a chegar.
Esse casal a que o Xico se refere no seu magnífico MEU AMIGO E O SEU CHARUTO (Paletós, Gravatas, Sapatos e Charutos), também mora no meu coração.
Impossível que esse casal não habite o coração das pessoas de bom coração.
Eu também desejo o mesmo, mestre Xico. E que você esteja presente, no velório, que com certeza será antes do seu. Abraços fraternos.
Que tal no mesmo dia? Eu nu, coberto de flores e vc com um inofensivo charuto guardado no bolso? Melhor rir que chorar.
Pode ser. Mas você vai sair perdendo, amigo. Abraços.
Aos ilustres amigos,
Poeta Xico Bizerra e Escritor (Dr) José Paulo Cavalcanti:
A morbidez do assunto mexeu comigo. Como diz Vinícius de Moraes, a morte é a angústia de quem vive. (Soneto da Separação).
Copiado de “Fernando Pessoa – POEMAS CURTOS” , Autores: Maria Lectícia Cavalcanti – José Paulo Cavalcanti Filho
A MORTE É A CURVA DA ESTRADA
Fernando Pessoa
A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te ouço a passada
Existir como eu existo.
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
Abraços e vida centenária para os dois! E para nós todos!!!
Muita saúde e Paz!
Corrigindo: Como diz Vinícius de Moraes, a morte é a angústia de quem vive. (Soneto de Fidelidade)..
Essa Violante é boa que só a peste. Viva ela. Beijos nos seus, querida.
Obrigada, querido Dr. José Paulo! Beijos, extensivos à Dra. Maria Lectícia!