COMENTÁRIO DO LEITOR

Comentário sobre a postagem BORDANDO VERSOS

Jairo Juruna:

Achei bacana encontrar nesta roda de glosas um timaço de estilistas da poesia popular CELEBRANDO a literatura de cordel não apenas como entretenimento, mas como uma forma de trabalho amoroso.

Eles transformam o ato de fazer poesia em algo palpável — ora fio, ora semente, ora oração — mas sempre movido pelo binômio amor e paixão, que garante a sobrevivência dessa arte no tempo.

Gostei de tudo, com destaque para a poesia de Jesus de Ritinha na qual o poeta introduz uma ideia diferente, uma metáfora da poesia como cultivo, plantação e colheita.

Falar em “agricultar poesia” passa a ideia de que o poeta prepara/cultiva a terra (no caso, a mente), planta a semente (a ideia) e colhe os frutos (os versos primorosos), reforçando a ligação intrínseca entre o homem do campo e a literatura de cordel.

2 pensou em “METÁFORA DA POESIA

  1. A poesia de Jesus de Ritinha em análise permite diferentes tipos de leitura.

    Um tipo de leitura interessante que podemos fazer é sobre a junção da atividade do poeta com a pegada agricultável, fazendo dele uma espécie de engenheiro do solo cultural ou um agricultor da palavra.

    Neste papel de poeta com orientação para o solo cultural, o conceito de cultivo também exige preparo. O poeta de cordel e o repentista não esperam que os versos surjam de forma mágica e repentina, vindos pelos poderes de Grayskull ou por outros poderes; eles preparam a terra – ou o solo cultural – por meio da leitura do mundo, do domínio da métrica e da escuta ativa do povo.

    Nesse caso, a semente é a provocação, o mote ou o fato social; o cultivo é a técnica da rima e da oração, o cuidado para que a “erva daninha” do verso pobre não comprometa a colheita; e a colheita é o folheto impresso ou o verso declamado que alimenta a alma do público.

    Outro tipo de leitura possível tem a ver com a posição de liderança que o Brasil ocupa no agronegócio global, um papel de destaque que pode se estender também para a atividade de vanguarda dos poetas populares, que são imbatíveis em sua arte.

    Não é brinquedo, não.

    Se somos imbatíveis na produção de grãos e proteína, utilizando tecnologia de ponta adaptada ao solo tropical, os nossos poetas populares operam com competências múltiplas para dar conta de uma produtividade considerável, com um grau de eficiência produtiva similar no campo artístico e/ou literário.

    Desse modo, o Brasil não é apenas uma potência em commodities minerais ou vegetais; somos também uma potência em commodities simbólicas. E o poeta popular é o agricultor da palavra que garante que nossa cultura nunca sofra de insegurança alimentar.

    Somos imbatíveis no campo porque aprendemos que, tanto na terra quanto no verso, quem não sabe plantar, não merece “colher frutos de primor”.

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