CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Pantaleão na cadeira de balanço

É mentira, Terta?!

A mentira é o mais perigoso meio utilizado pelos humanos para destruir pensamentos, alterar comportamentos humanos e obter vantagens em tempos de guerra ou de paz.

Nos conflitos armados, manifesta-se através da “guerra de informações” públicas, com o fito de iludir adversários, levando-os às decisões erradas.

Na paz, a mentira é disseminada por meio das conversas de rua ou reservadamente praticadas. Mas, em termos de administração pública, sua força está no uso do voto como mercadoria. No caso, a mentira corre solta e veloz, mas nem sempre deixa rastro.

Não aparece como armamento e atua como uma grande força de convencimento, capaz de derrubar pessoas, organizações e agremiações partidárias.

A mentira é a arma para se iludir.

Desde cedo, na casa paterna, há muitos anos, se aprendia que a mentira provocava castigos. Papai dizia que expressar a verdade era uma obrigação, jamais mérito.

Passaram-se os anos e nessa esteira de aprendizados filosóficos ocorreram mudanças e reorganização de comportamentos, notando-se que hoje proliferam nos discursos políticos, nas entrevistas, no comércio e na própria sociedade, as meias-verdades.

Segundo os professores, meias-verdades são declarações que ocultam, no todo ou em parte, os fatos ou informações. Pode-se assim definir como “meias mentiras”, por manipularem a realidade.

Segundo Louis Blanche Bordeaux, elas são perigosas porque utilizam uma base verdadeira para tornar aceitável uma parte falsa, enganando o receptor.

Muitas vezes, são usadas para manipulação ou para evitar a responsabilização completa, sendo piores do que uma mentira absoluta.

Tem mais, não há mentira relativa!

Em nosso país é voz corrente a utilização da “mentirinha carioca”; ou seja, aquela que não ofende, mas salva algumas situações embaraçosas. Porém, algumas vezes, necessita de um elemento de prova, para se consolidar: ou seja aquele que confirma ser a mentira uma realidade.

Vem-me a forte lembrança do saudoso Pantaleão Pereira Peixoto, personagem de Chico Anysio, que conversava com o amigo, interpretado pelo ator e colega Luiz Delfino, criava mentiras do arco-da-velha, recorrendo à esposa, Terta, (Suely May) que funcionava como elemento de prova, não faltando o inimitável Pedro Bó, (José Lester) sempre interrompendo as conversas com perguntas idiotas.

– É mentira, Terta?!

2 pensou em “MEIAS VERDADES

  1. Deco amigo.

    Torna-se importante entender que Chico criou e caracterizou 209 personagens. É mole?

    Grato por sua leitura e comentário, velho amigo!

    Um abração “de verdade”, do

    Carlos Eduardo

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