CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SOB O ENCANTO DA VOZ ROUFENHA

Não se trata simplesmente de gostar, ou não, até mesmo porque o viés personalista da preferência poderia colocar sob suspeita alguma relevância que porventura a acompanhasse. É apenas uma constatação: o PT já estava deteriorado antes de nascer. Para ser parido, precisou, por primeiro, trair os trabalhadores.

No auge das greves em São Bernardo do Campo patrocinadas por um sindicato classista, pude acompanhar de perto os confrontos entre trabalhadores e a Força Pública, hoje Polícia Militar. Das manifestações de rua que tive a oportunidade de testemunhar, mais notadamente na Marechal Deodoro, principal via da São Bernardo de então, jamais detectei a presença de nenhuma liderança de alta patente do movimento para dividir o ônus da causa. Creio ser legítima minha suspeita de que estavam ocupadas em usufruir, sob as asas protetoras da fraude ou da batina, ou de ambas, do bônus da glória repentina.

Preocupadas em assegurar um lugar de confortável destaque e de segurança conveniente no novo Brasil que se configurava, não hesitaram em dar às costas aos trabalhadores antecipando a fundação de um partido político em detrimento das reivindicações que davam voz, vida e credibilidade ao movimento. Esse erro estratégico foi fatal, tanto para o PT, como para a CUT. Um, jamais conseguiu legitimar-se como representante político da classe trabalhadora. Intelectualizou-se para pior. A outra, sempre esteve distante de ser a liderança trabalhista no campo da política. O máximo que conseguiu foi ser porta voz das vicissitudes partidária ou governista. Nada além disso.

Ao estabelecerem como prioridade das prioridades as vantagens pessoais propiciadas pelo engajamento político, os líderes sindicais de São Bernardo não foram fiéis ao levante de Vila Euclides. Matreiros e covardes elevaram à importância de primeira baixeza as necessidades e as esperanças dos trabalhadores de todo o País que se julgavam representados naquela insurgência capitaneada pelos metalúrgicos são-bernardenses. Sucumbiram à facilidade que a fidelidade abomina e renega.

Por sua vez, o PT desonrou seu histórico comprometimento ideológico ao consolidar a falta de ética como ideário da legenda, apequenou-se ao eleger a perfídia como avalista de sua caminhada em busca do poder absoluto e naufragou nas águas pútridas da promiscuidade ao estabelecer a corrupção como programa de governo. Ao longo desses quase quarenta anos persegue, às vezes com a avidez dos desesperados, a maturidade que jamais alcançará, pois, corrompido ainda na gestação, nunca deixará de ser um vulgar feto mimado, birrento e irresponsável. Juntos, petistas e sindicalistas traíram a boa fé do povo brasileiro aliançando-se ao que havia de pior na política e no empresariado nacionais.

De braços dados com a farsa e a empulhação, PT e CUT cumprem a patética missão de serem emissários vulgares das novas – que invariavelmente não são boas e cuja celeridade dos malfeitos não permite que se tornem velhas -, advindas do feudo lulista.

Submissos, curvam-se ao poder emanado das profundas da voz roufenha que os encanta e vicia.

4 pensou em “MAURO PEREIRA – ITAPEVA-SP

    • Todo o meu aplauso ao autor…

      Señor Mauro, resumir a saga vermelha em SBC em tão poucas linhas merece um Prêmio Pulitzer.

Deixe uma resposta