Berto, querido amigo,
Semana passada, o poeta Mundim do Vale deixou esse mundo material no qual nos encontramos.
Conheci Mundim há muitos anos, por intermédio do seu irmão Ricardo Morais, um grande amigo em quem já devo ter falado aqui outras vezes.
Tendo como nome de batismo Raimundo, Mundim era também chamado pelos mais próximos de Nanum. Era tudo a mesma coisa. Um coração de poeta traduzindo para este mundo as belezas que só os poetas conseguem ver.
No dia do seu falecimento, seu irmão Joaquim Morais escreveu esses versos, que ora compartilho com os amigos fubânicos, como forma de prestar homenagem a esse amigo querido que partiu para o céu dos poetas.
O POETA NOS DEIXOU
Na terra, a luz se abateu
o pássaro não cantou
o roseiral se fechou
o jardim escureceu
o riso se recolheu
o beija-flor não beijou
um vento frio levou
a força da alegria
tudo foi triste no dia
que o poeta nos deixou
A correnteza secou
o arco-íris não veio
o coreto ficou feio
a bandinha não tocou
a cigarra se calou
a borboleta sofreu
a lua se escondeu
o oceano parou
o povo todo chorou
quando o poeta morreu
Até que desceu um Santo
mostrou o valor da fé
falou que o poeta é
uma fonte de acalanto
uma reserva, um recanto
sagrado e consagrado
que Deus quer sempre do lado
pra derramar poesia
e renovar todo dia
o valor desse legado
Mundim do Vale voou
nas asas de Gabriel
foi chamado lá no céu
por Jesus, Nosso Senhor
pra fazer versos de amor
de alegria e liberdade
recitar felicidade
rimando o azul do manto
com a grandeza do encanto
que existe na caridade
O arcanjo Rafael
já mostrou seu pessoal
Iraci, Pedro Piau
Cecília e Ezequiel
Morais quer ouvir cordel
cantado em comunhão
Sérgio toca o violão
pra amigos e parentes
Santos e Anjos presentes
vão cantar com o coração
