Muito boa noite, Berto.
Caro editor, se possível, publique um fato ocorrido comigo, no final de novembro que passou, lá pelas bandas do sertão pernambucano.
Forte abraço!
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O ENIGMA DO DNA POÉTICO DO SERTÃO
Fui a trabalho ao sertão de Pernambuco (região do Pajeú) e, após o cumprimento do dever, já no fim de semana, não pude me furtar ao prazer e a curiosidade de conhecer a região e alguns poetas do lugar, onde pude comprovar, in loco, o poder da criatividade e a inteligência daquela gente.
Convidado para um almoço, no sábado, na casa de um poeta sertanejo, regado a muita comida e bebida, lá pelas tantas, ele puxou uma viola e começou a contar, cantar e dedilhar de forma magistral o seguinte:
“Certa feita, consta que o locutor sugeriu ao poeta Louro Branco, fazer um verso bem bonito, pra uma moça bonita e distinta, que tava na primeira fila da platéia.
A moça percebeu, mas, para sua falta de sorte, ela se mostrou arrogante e boçal.
Ao ouvir a sugestão do locutor do evento, deu um DEDO pro locutor e para o poeta.
Louro Branco, então, se saiu com esse verso, assim, no improviso… na lata:
Eu admiro essa moça
Por ser de família nobre
Na beleza ela tá rica
Na educação, tá pobre
Que moça que dá o dedo
Dá até o que a calcinha cobre
No domingo, chegando ao sitio (em Tabira ou Carnaíba) do poeta popular Vonaldo Pontes, depois dos comes e bebes (haja fartura), fui apresentado ao poeta, como advogado da capital.
Depois de muita cantoria e poesias, pra me provocar, ele me recepcionou com essa maravilha de introdução:
O sujeito mata alguém,
Se torna um psicopata
No dia do julgamento
Vem um doutor de gravata
Pisa no sangue do morto
E dá liberdade a quem mata…
Dizem que, quem bebe das águas do Rio Pajeú, já é batizado com o dom da poesia.
A moça nem tem calcinha
Pra cobrir aquelas parte
Imagina um cantador
Que homenageia o dodô
Com ela gastar a sua arte
Não tenho o menor receio
Que aquele dedo do meio
Abre caminho nos pentêio
Das siririca que bate.
kkkkkkkk Mandou bem, mestre Dema.
Você que é músico e compositor, saberia dar uma resposta à altura, a insolente jovem.
Gratissimo pela sagaz participação, Dema!
Forte abraço!