CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Muito boa noite, Berto.

Caro editor, se possível, publique um fato ocorrido comigo, no final de novembro que passou, lá pelas bandas do sertão pernambucano.

Forte abraço!

* * *

O ENIGMA DO DNA POÉTICO DO SERTÃO

Fui a trabalho ao sertão de Pernambuco (região do Pajeú) e, após o cumprimento do dever, já no fim de semana, não pude me furtar ao prazer e a curiosidade de conhecer a região e alguns poetas do lugar, onde pude comprovar, in loco, o poder da criatividade e a inteligência daquela gente.

Convidado para um almoço, no sábado, na casa de um poeta sertanejo, regado a muita comida e bebida, lá pelas tantas, ele puxou uma viola e começou a contar, cantar e dedilhar de forma magistral o seguinte:

“Certa feita, consta que o locutor sugeriu ao poeta Louro Branco, fazer um verso bem bonito, pra uma moça bonita e distinta, que tava na primeira fila da platéia.

A moça percebeu, mas, para sua falta de sorte, ela se mostrou arrogante e boçal.

Ao ouvir a sugestão do locutor do evento, deu um DEDO pro locutor e para o poeta.

Louro Branco, então, se saiu com esse verso, assim, no improviso… na lata:

Eu admiro essa moça
Por ser de família nobre
Na beleza ela tá rica
Na educação, tá pobre
Que moça que dá o dedo
Dá até o que a calcinha cobre

No domingo, chegando ao sitio (em Tabira ou Carnaíba) do poeta popular Vonaldo Pontes, depois dos comes e bebes (haja fartura), fui apresentado ao poeta, como advogado da capital.

Depois de muita cantoria e poesias, pra me provocar, ele me recepcionou com essa maravilha de introdução:

O sujeito mata alguém,
Se torna um psicopata
No dia do julgamento
Vem um doutor de gravata
Pisa no sangue do morto
E dá liberdade a quem mata…

Dizem que, quem bebe das águas do Rio Pajeú, já é batizado com o dom da poesia.

2 pensou em “MARCOS ANDRÉ – RECIFE-PE

  1. A moça nem tem calcinha
    Pra cobrir aquelas parte
    Imagina um cantador
    Que homenageia o dodô
    Com ela gastar a sua arte
    Não tenho o menor receio
    Que aquele dedo do meio
    Abre caminho nos pentêio
    Das siririca que bate.

  2. kkkkkkkk Mandou bem, mestre Dema.

    Você que é músico e compositor, saberia dar uma resposta à altura, a insolente jovem.

    Gratissimo pela sagaz participação, Dema!

    Forte abraço!

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