CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

E.R.E.T.O. Berto:

(Eminentíssimo, Reverendíssimo, Excelentíssimo e Talentoso Over-sacudido) Berto:

Se for de seu agrado e complacência com o besteirol que é produzido por este escrevinhador, e para comemorar minha recuperação dos longos perrengues que me fustigaram o corpo e a alma nesses últimos meses, poderia publicar essa excrescência na gazeta mais importante da Via Láctea?

Imagino que sirva para distração dos nossos queridos leitores e amigos para deixarem de lado por um instante as desgraças políticas, jurídicas, econômicas e bostíferas que ultimamente assolam nosso amado País.

Grande abraço.

Magnovaldo

R. Êita peste!!!

Esse título de E.R.E.T.O. levantou o astral aqui do véio (pena que só o astral…).

Que bom rever você por aqui, meu caro amigo.

Eu e os leitores sentimos muita sua falta.

Você, grande guerreiro, vai vencer esses perrengues com certeza!

Estamos aqui torcendo.

E vamos ao texto que você nos mandou.

* * *

Mortes por doenças profissionais e outras nem tanto

Pois é, o Brasil, apesar de suas andanças políticas pela esquerda, direita, extremas direita e esquerda, cafajestagens jurídicas e roubalheiras mil (ou milhões, ou bilhões, escolha a escala), até que teve algum progresso no combate às doenças endêmicas e profissionais nos últimos tempos.

Por exemplo, a imunologista brasileira, nascida na Austria em 20 de Junho de 1928 e falecida em 1 de Abril de 2018, Ruth Sonntag Nussenzweig, teve uma carreira de 60 anos voltada com extremo sucesso ao desenvolvimento da vacina contra a malária. Seu marido, Victor Nussenzweig, também destacado imunologista, participou igual e ativamente no desenvolvimento dessa primeira vacina brasileira contra a malária. Ambos foram perseguidos pelo regime militar instalado no Brasil em 1964. Ruth e seu marido tiveram que mudar-se para a França e, depois, para os Estados Unidos, voltando ao Brasil em 1968 para receber o título de PhD pela Universidade de São Paulo.

Já o amianto, por exemplo, causa a “asbestose”, sendo sua inalação prolongada a causa de cicatrizes e câncer nos pulmões, mesotelioma maligno, placas pleurais e câncer de laringe. A proteção contra essa doença profissional é um assunto sério em nosso País.

Em respeito a isso, e também por pressões internacionais, a Marinha brasileira determinou o afundamento do antigo porta-aviões São Paulo no Oceano Atlântico em 3 de fevereiro de 2023, em um local a 350 km da costa brasileira com uma profundidade de 5 mil metros. O navio, desativado em 2018, apresentava problemas estruturais e grande quantidade de amianto e outros materiais tóxicos, não sendo aceito para desmonte em nenhum país.

As leis brasileiras para proteger os trabalhadores contra a intoxicação por chumbo, chamada “saturnismo”, são severas e consideradas de muita valia na proteção de quem trabalha em ambientes com aquele metal pesado. Segundo a NR-7, o Indice Máximo Permitido (IMP) de chumbo no sangue é de 60 mcg/dL, sendo o valor de referência até 40 mcg/dL.

É bom lembrar aqui que no começo do século a gasolina continha chumbo tetraetila (também conhecido como tetraetilchumbo), responsável por incontáveis mortes prematuras e terríveis danos ao meio ambiente. A utilização do chumbo tetraetila tinha o objetivo de aumentar a octanagem da gasolina. O último país a abandonar a gasolina com chumbo foi a Argélia, em 30 de agosto de 2021, marcando o fim oficial do uso desse veneno no mundo.

Infelizmente meu avô Antonino, marido de minha avó materna, nunca teve contato nenhum com esses estudos, leis, normas e regulamentações do Ministério da Saúde. Aliás, nem sei se, lendo algumas dessas informações, saberia do que se tratava, já que sua escolaridade estava abaixo de algo elementarmente simples, inferior até à de muitos pós-doutores em LGBTPQPA?++.

Mas porque meu avô Antonino entra nessa história?

O caso é que ele morreu aos 56 anos devido a uma aguda intoxicação por chumbo. Hein, como assim, existiam trabalhadores que lidavam com chumbo no sertão de Caicó na década de 1940? Seguramente não. Bem, então aqui se faz necessária uma explicação.

Meu avô, um arretado e sacudido cabra macho nordestino, resolveu “mexer” com uma mulher casada da vizinhança. O marido, sentindo crescer um calombo na testa, desconfiou, pegou os dois em flagrante e deu quatro tiros nele. As balas, evidentemente, eram de chumbo.

Nunca fiquei sabendo se a mulher também foi contaminada.

14 pensou em “MAGNOVALDO SANTOS – PALM COAST – ESTADOS UNIDOS

  1. Ainda se morre por esse chumbo. Se bem que o normal, no tempo e no espaço desse caso de morte do seu avô Antonino, era morrer na ponta do cornudo. Não na ponta do chifre. Mas na ponta da peixeira.

  2. Sr. Magnovaldo, um texto muito bom, nos deu uma leve impressão que seu avô tinha uma alergia grave ao chumbo !!! Principalmente na forma de bala ?? Entendi corretamente a mensagem ???

  3. Bem vindo ao front prezado Magnovaldo, sentimos muito a sua falta, seus artigos e humor ferino, que Deus o cubra de benção e saúde, quanto a nós, pobres mortais ao Sul do Equador, continuamos caminhando firme e forte, rumo ao fim do mundo, sob a batuta do PT e do Lula, agora conhecido como o “côrno de Garanhuns”.

  4. Meus prezadíssimos amigos de alma e coração, Jesus de Ritinha de Miúdo, Ronaldo Ferreira, Marcos Pontes/DF, Schirley e Maurino Junior: não dá para descrever a alegria em estar de volta, vivo, ao sacratíssimo ambiente fubânico. Vocês elevam o astral deste velho desocupado que curte todas as horas e minutos da reta final da vida! Muitíssimo grato pelas palavras e votos de melhoria da saúde, o único bem real que importa na vida. Quanto às dúvidas, vale a pena esclarecer: meu avô Antonino era mais pulador de cerca que uma certa gazela que virou senador, sendo alérgico a chumbo e também ao aço da ponta de uma peixeira, sendo que esta última alergia não chegou a ser comprovada. Segundo uma tia (legítima) que tenho, algumas outras sobressalentes devem ter andado por aí, compartilhando o mesmo material genético. Desejo a todos vocês um final de semana com muita alegria, saúde e paz.

  5. Caro Magnovaldo, ainda rindo com a presepada sobre a alergia de seu avô, sirvo-me desta para dar-lhe boas vindas e lhe desejar muita saúde.
    Com relação ao saturnismo, por muito tempo tive medo de tê-lo contraído.

    Explico: quando adolescente, trabalhei de frentista em posto de gasolina. Naquela época não existiam as bombas de travamento automático e nós, as buchas de canhão das petroleiras, tínhamos que colocar os zouvidos na boca de abastecimento do carro e escutar o barulho característico do tanque enchendo para evitar o derrame de gasolina.

    Essa técnica, não muito eficiente, fazia com que respirássemos os vapores e, ás vezes tomássemos um “banho” de combustível.

    Graças a Deus trabalhei pouco tempo na função e escapei da contaminação.

    Grande abraço.

    • Grande Pablo: passou perto, não? O pior é que, em minha tenra idade (gostou da frescura da “tenra”?) sentia-me atraído pelo cheiro da gasolina. Como diria meu pai, todo o perigo cheira bem! Grande abraço.

    • Meu ilustre gurú: minha prosa é material para as horas de descarrego meditoso na privada. Suas colocações filosófico-econômicas são uma lição de conhecimento. Grande abraço.

  6. Prezadíssimo Magnovaldo Bezerra (ou Sr. Big. Smile), como o chama carinhosamente Schirley, inesquecível Musa da Caucaia)

    Que bom a vossa volta, nem que seja pelo genial ‘Mortes por doenças profissionais e outras nem tanto. ”

    Satisfaz a todos os bestas fubanenses a alegria de sabê-lo bem e escrevendo para nossa alegria!

    Abraçaços!

  7. “Os Fuxicos do Senhor Engenheiro” é meu livro de travesseiro. Suas histórias, narradas em Dó Maior, me satisfaz em harmonia literária.

    Abraçaços estimadíssimo amigo!

    Longa vida com saúde!

    Cá estou cuidando da minha.

    • Grande Cícero: seguramente, com segura segurança (eita saudades da Dilmanta), você tem seu lugar garantido no céu pela grandeza e bondade de sua alma. Bom saber de você! Um grande abraço e votos sinceros de saúde, paz e harmonia na vida.

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