Foi Deus quem pôs maestria,
No vôo de uma gaivota.
Mote de Ademar Macedo
* * *
Deu imponência ao leão
E agilidade ao gato,
Deu nadadeiras ao pato,
Rapidez ao gavião,
Pôs um luar no sertão
Duma cor que não desbota,
Deu à semente que brota
Uma auréola de magia.
Foi Deus que pôs maestria
No vôo de uma gaivota.
Deus, Javé ou Jeová
Deu fidelidade ao cão,
Autonomia e visão
Ao predador carcará,
Pôs mau odor no gambá,
Fez do pavão um janota,
Pôs o mocó numa grota
Como habitante e vigia.
Foi Deus que pôs maestria
No vôo de uma gaivota.
Deu notas ao sabiá,
Magia ao uirapuru,
Deu feiúra ao cururu
E valentia ao guará,
Dentição forte ao preá,
À cotia e à marmota,
Marreco seguir a rota
Voando em noite sombria.
Foi Deus que pôs maestria
No vôo de uma gaivota.
