Prometi a mim mesmo que ao me aposentar iria reler todos os livros de minha propriedade, porque em cada Folha de Guarda sempre anoto as páginas que irei precisar para futuras referências.
Não cumpri a promessa, mesmo emplacando quase 88 anos, porque deixei de ser bancário no prazo regulamentar, mas não parei de trabalhar, ocupando-me em outros ofícios.
Mas agora, sob o peso de tantos anos transitando pelas calçadas da vida e entrevistando tantas pessoas, estou me aquietando. E vou cumprir a promessa de me aposentar das ruas.
Nessa busca obtive material para escrever sobre frases notáveis, umas curiosas e outras engraçadas, que encontrei em vários compêndios.
Faço referência a Mário Goulart que organizou o “Livro dos Erros” e a Jaime Klinowitz, livro de cuja capa ilustro estas notas.
CHOQUE FINANCEIRO – “Em três meses quero a direita indignada e a esquerda perplexa” – Fernando Affonso Collor de Melo, ex-Presidente do Brasil.
SEM FINGIMENTO – Uma definição de Garrincha feita pelo Lateral Esquerdo Nilton Santos: “Não é que ele fingisse ir por um lado e fosse por outro. Ele insinuava que ia por um lado e ia por lá mesmo. ”
ADEUS MICROFONE! – Em fase aposentadoria, Garrincha atende a um repórter de campo que lhe pede para dar um adeus ao microfone e ele, prontamente: “Adeus microfone! ”.
PROVÍNCIAS RELUTANTES – “O Império do Brasil havia nascido com a aclamação de Dom Pedro como Imperador, em 12 de outubro de 1822. Faltava ainda cada província o aceitar como Soberano. Isso foi feito aos poucos e não sem relutância.
PAIS FRAGMENTADO – Entre 1821 e 1823 foi grande o risco de o Brasil se fragmentar em dois ou três países menores, como ocorreu na América Espanhola.
MEIO BRASIL – Pernambuco, uma das províncias mais ricas, hesitou até dezembro. Portanto, entenda-se que até o início de 1823 que D. Pedro tinha nas mãos era apenas um meio Brasil.”
ARRISCADO – Entrevistado, Ananias, jogador pernambucano, foi indagado por um jornalista: Quais são os seus prognósticos para o campeonato regional? “Olha, prognóstico eu só dou quando acabar o jogo. Antes não me arrisco!”.
INTER PARES – O nadador Fernando Scherer, o Xuxa, sente assim o segundo lugar: “O primeiro dos últimos”.
JORNADA NAS ESTRELAS – “Bernard, famoso voleibolista brasileiro, tinha um saque que fazia a bola subir 24 metros, mais do que um prédio de oito andares e servia apenas para desorientar os adversários e torná-los ridículos nos segundos em que ficavam olhando para cima. Para completar o atleta chamava os adversários que tentavam segurar a bola, de Perdidos no Espaço.”
PENDURICALHOS – Zélia Cardoso de Melo, Ministra da Economia de Collor, responde à Imprensa sobre o Plano Collor: “Não li direito o que os economistas estão dizendo e tem causado alvoroço. Mas conheço minha categoria. Posso imaginar que eles estão prestando mais atenção nos penduricalhos do que no essencial.”
CHICO BACON – Certo jornalista implicou com o economista Celso Furtado, que num livro se referia a Francisco Bacon e não a Francis Bacon: “Por que não o chamou logo de Chico?”
GOLPE CONTRA – Leonel de Moura Brizola, diante dos assédios da Imprensa, espoletou: “Se não dermos o golpe, eles o darão contra nós.”
VACA FARDADA – O General Mourão filho, entrevistado por Salviano Filho, diante da primeira pergunta, pipocou: “Meu nego, em matéria de política eu sou uma vaca fardada.”
BARÃO DE ITARARÉ – “De onde menos se espera, dali é que não vem nada.”
BRAZIL ANTIGO – Antigamente se escrevia Brazil com “Z” e ainda hoje vemos nos produtos importados o nome Brazil. Aparece Cândido de Figueiredo e manda brasa: “O Brasil é a única nação civilizada do mundo que não sabe escrever o próprio nome.”
MEU PAI – Quando mamãe não se lembrava de alguma frase ele “aplicava”: “Me diga que eu lhe lembro!”
Excelente! Adorei!!!!