MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O Banco Central tem poderes suficientes para liquidar, de forma extrajudicial, qualquer empresa autorizada a funcionar no mercado financeiro. Basta observar que há problemas de liquidez que é decretada intervenção. Os dirigentes da instituição são afastados, o patrimônio bloqueado e isso é válido, também, para acionistas majoritários da instituição. O caso do Master, por exemplo, se enquadra nesse contexto.

O fato mais surpreendente é que o Master está liquidando os togados do país. Cada dia, descobre-se um vínculo de alguém do poder judiciário com Vorcaro. Paulo Gonet assegurou nunca ter encontrado ou tido contato com Vorcaro e aí circula nas redes sociais uma foto deles dois, juntos, fumando charuto, em Londres.

Um detalhe importante que talvez alguns não saibam: Gonet pode ser exonerado antes do término do seu mandato a pedido do presidente da república, no entanto, esse pedido precisa ser aprovado pelo senado federal. Aí, que acredita que o senado é capaz de fazer isso? E não faz não é apenas por Alcolumbre, é por pendências morais, por desvios de conduta e de recursos públicos, é porque não há maioria no senado para acatar um pedido de impeachment de ministros do STF ou do procurador geral da república.

Gilmar Mendes, disse a frase “Não se pode expor um colega, mesmo que ele esteja envolvido. Até a máfia tem ética” durante a sessão extraordinária do STF no dia 15 de setembro de 2026, quando se decidia o processo contra Alexandre de Morais. Tal afirmação é de uma gravidade sem precedentes, principalmente se levarmos em conta outras decisões de Gilmar que afrontam nosso conceito de imparcialidade. No final, foi divulgado na grande mídia que o cunhado de Gilmar era tratado como o elo entre o poder judiciário e Vorcaro. Mais ainda: a ex-diretora, Dalide Correa, considerada como “ex braço direito” de Gilmar, recebeu R$ 33 milhões.

Nas conversas interceptadas pela PF, Dalide Correa aparece como ponte para o STF, embora não se tenha o nome específico de um ministro. Não parece muito difícil de deduzir: Dalide Correa trabalhou com Gilmar Mendes, então não faz muito sentido ela procurar outro ministro. Além disso, segundo ela, os contratos seriam com empresas que venderam créditos de carbono ao banco Master e em instâncias inferiores. Puxa! Que argumento! Eu só tenho uma dúvida: se ela trabalhou para empresas que tinham créditos de carbono por que o dinheiro foi transferido para pelo Master? Honorários de sucumbência? Talvez, mas não deixa de ser estranho.

Esta semana surgiu o nome de Benedito Gonçalves, famoso pela expressão “missão dada, missão cumprida”, após o processo de cassação do deputado federal Deltan Dallagnol. Deltan, foi acusado, injustamente, de ter pedido exoneração para fugir de um processo administrativo, fato que lhe impediria de participar de qualquer processo eleitoral. Não havia nenhum processo contra ele, o TER-PR declarou isso, mas o PT recorreu ao TSE e o Benedito se prontificou a atender um pedido de Lula. Incrível ver Benedito trocando figurinhas com Vorcaro, combinando fumar charuto quando tivesse em Brasília e alguém precisa dizer a ele que Deltan Dallagnol não aparece nas conversas de Vorcaro.

A coisa não acaba por aí: Kassio Nunes Marques teve seu nome envolvido numa questão de aluguel de uma mansão de R$ 250 mil para um período carnavalesco, além de uma referência a umas garotinhas para atender-lhe em favores especiais. É lamentável isso e, também, preocupante porque Kassio foi indicação de Bolsonaro, mas por influência de Ciro Nogueira, enrolado até o cabelo do relógio nessa podridão. Acha pouco? O nome do filho de Fux que como presidente da segunda turma tem feito um trabalho coerente, à margem da paixão política partidária. Não se trata de condenação sumária de Fux. Algo com o filho pode não ter lhe envolvido, mas o que fica é o sentimento de que seria melhor se não tivesse essa citação.

Um detalhe curioso é que os valores pagos por Vorcaro a políticos diversos, são verdadeiros prêmios da mega-sena. O pessoal só fala em coisa da ordem de milhões, só o caso de Alexandre de Morais é que uma mega-sena acumulada.

Cabe relembrar que o presidente eleito terá a oportunidade de indicar 4 novos ministros para o STF e que ou se fortalece o senado ou nada feito.

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