LICEU DO CEARÁ – 176 ANOS DE MUITA QUALIDADE

Liceu do Ceará chega aos 176 anos de existência

Fundado no dia 19 de outubro de 1843, o Liceu do Ceará é a quarta mais antiga instituição de ensino público do Brasil, país que já atingiu 519 anos desde a descoberta no dia 22 de abril de 1500.

De acordo com o livro “O Liceu do Ceará em Cem Anos”, do autor Hugo Vitor, a escola é a 4ª mais antiga do País, fundada no ano de 1843. A instituição foi criada pelo Marechal José Maria da Silva Bitencourt, que era “engenheiro militar e foi o 13º presidente do Ceará e Comandante das Armas”, e dessa fundação como legado, os muitos diretores que por ali passaram, mantiveram apenas a rigidez disciplinar para professores e alunos. Sem viadagens, sem baitolagens – aluno com “brinquinho” na orelha, não entra. Tem todo o direito de ser gay, mas vai ser gay fora do colégio.

Ainda hoje, usando a linguagem sem verniz, “o Liceu do Ceará é uma escola onde a frescura e a viadagem não entram”. É uma escola para macho. Disciplina rígida, sem aderir às frescuras atuais que permeiam na educação brasileira, o Liceu do Ceará é o principal formador de mais de 70% dos profissionais renomados do Ceará.

O primeiro diretor da escola foi o padre Thomaz Pompeu de Souza Brasil. Já o primeiro prédio do Liceu foi inaugurado em 1894, no Centro de Fortaleza, e lá permaneceu até 1937, quando se mudou para o seu atual endereço, na Rua Liberato Barroso, no bairro Jacarecanga. O diretor mais longevo e admirado por sua rigidez direcional, sem deixar de ser justo, foi Boanerges Cysne de Farias Sabóia. Admirado e respeitado até pelos mais “peraltas” alunos.

Professor Boanerges Cysne de Farias Sabóia com sua espoa – ele foi o mais longevo Diretor do Liceu do Ceará

Rigidez e disciplina suportáveis – Quem ler hoje nas redes sociais os pais que perderam o controle e o domínio sobre os filhos protestarem contra “escolas públicas com orientação militar” – sem que a matrícula de quem quer que seja venha ser algo obrigatório – reclamar da qualidade da escolarização apenas para
se parecerem “contra o Governo”, não tem a menor ideia de que um dia (e até hoje é assim!) foi a disciplina implantada no Liceu do Ceará.

Aluno que agride professor, no Liceu do Ceará, nunca foi “suspenso”. Sempre foi “expulso” e os pais nunca compareceram “armados de revólver” para reclamar isso ou aquilo. Dentro do colégio, a disciplina sempre foi rígida – sem ser “militarizada”.

Estudei no Liceu por 7 longos anos. Ali estudei Canto Orfeônico (Música), Latim, Desenho e até “Esperanto”, sem nunca ter sabido qual a utilidade dessa matéria. A média para “aprovação”, era 7. Quem ao final do ano, após as provas escritas e orais não alcançasse a média 7, estava “reprovado” e “c´est fini”!

Foto 3 – Veja a disciplina durante um café da manhã numa data comemorativa

A maioria que concluía o Terceiro Ano Científico (ou Clássico) no Liceu do Ceará, quase nunca era “reprovada” no Vestibular para qualquer universidade – por que, quem concluía, sabia o que fora ensinado. Estava preparado para enfrentar o Vestibular.

Por isso, nenhum pai saía de casa para agredir Professor, pois sabia que aquela rigidez tinha um objetivo: o aprendizado, sem frescuras, sem qualiragens.

Era terminantemente proibido a qualquer aluno de qualquer série, vestir o uniforme do colégio fora do horário de aulas. Quem fosse flagrado usando a calça (cáqui, com duas listas azuis em cada perna) com o objetivo de pagar meia passagem nos transportes coletivos ou nos cinemas, era punido.

Os “bedéis” – funcionários que fiscalizavam as possíveis indisciplinas de alunos pelas ruas nas saídas dos horários de aulas – eram temidos e respeitados.

Outros tempos!

Parabéns ao Liceu do Ceará pelos 176 anos de excelentes serviços prestados à escolarização do Ceará e do Brasil.

16 pensou em “LICEU DO CEARÁ – 176 ANOS DE MUITA QUALIDADE

  1. Uma bela homenagem a escola, ao ensino sério , ao tempo . Sem ufanismo, linguagem simples , retratando o jeito em que se via uma escola , professores e a educação em todos os sentidos da palavra ( aprendizado , disciplina e respeito ) coisa que infelizmente a politicagem mudou para pior sob a ideia de que é o progresso. modernismo , ou algo assim.

    • Joaquim, me dá uma saudade enorme daqueles tempos. A gente sabia que, “se mijasse fora do penico”, o pau troava. Coisa de outra geração.

  2. .
    Tenho um forte sentimento de estima pelo Liceu, pelo menos desde quando lá estudei.
    Foram dois períodos letivos de bom proveito e muita satisfação para mim.
    Conclusão do Curso Científico – 2º. e 3º. anos, à noite – 1959 e 1960.
    Um Corpo Docente de causar inveja às Universidades de hoje.

    • A. Luís: entrei lá em 1958, primeira série ginasial. Saí quando terminei o Científico, em 1964. Não conheci colégio igual – e professores maravilhosos, rígidos, que se faziam respeitar.

  3. Não estudei no Liceu do Ceará, estudei no Colégio São João, mas tive como mestre o Prof. Boanages e como Diretor o Prof. Odilon Braveza, que também foi diretor do Liceu também tenho orgulho de ter ter tido estes dois maravilhosos professores em minha formação humana e profissional. Que Deus os tenha, aos 72 anos, os preso até hoje!

    • Marcos, sei disso. Eles, os professores ensinavam (e sabiam o que ensinavam) e a gente aprendia. Outra escola. Afinal, 176 anos faz alguma diferença.

  4. Parabéns sr José Ramos, pelo excelente relato de como era as escolas no nosso tempo de criança.Sem saudosismo,mas,com muita competência, o sr mostra a diferença e qualidade do ensino publico em nosso pais. Tive o privilégio de estudar na escola Escola Presidente Wenceslau Braz, lá no sul de Minas Gerais,onde, a disciplina e qualidade dos professores é o que fazia a diferença. Um abraço meu amigo fubânico.

    • Paulo: é isso sim. os professores de hoje só se preocupavam com salários. Só se preocupam se o aluno está bem, pouco ligando se está aprendendo. Aderiram às viadagens de “tio” e outras boiolagens e não ensinam porra nenhuma. Não recebem o respeito que poderiam merecer. Muitos não merecem mesmo.

  5. José Ramos, tenho muito orgulho de ter sido aluno do Liceu do Ceará durante quatro anos. Ingressei, também, em 1958 após ter prestado o rigoroso exame de admissão. Como mundo é pequeno, tenho um filho casado com uma neta do Prof. Ademar que era Vice-Diretor na gestão do Prof. Boanerges.
    Naquele tempo, veado só o Hélio, assim mesmo tinha um comportamento correto e moralista. Ninguém ousava lhe desrespeitar.
    Assim era o nosso Liceu.
    Abraços
    Salvador Pedroza – Sobral-Ce.

    • Salvador, você é uma figuraça. Tô devendo a visita, sei disso. Qualquer dia desses troco o prazer de viajar apenas uma hora de avião de São Luís para Fortaleza, pelo prazer de lhe fazer uma visita, viajando por terra. O problema é que são pelo menos 15 hors de viagem, e as estradas do Maranhão são uma verdadeira porcaria. Mas, vou visitar o amigo, prometo. Em tempo: Rapaz, será que tinha mais de um “Hélio”? Se tiver…. Deus te livre!

  6. Caro José Ramos, embora não tenhamos nos conhecidos, mas foi por esse período que estudei no saudoso Liceu do Ceará, no bairro de Jacarecanga, vizinho do grupamento do Corpo dos Bombeiros. Meu Diretor foi tb o mestre Boanerges Saboia. Saí de lá, no inicio da década de 60, fui pro 23º.BC. Tempo bom, apesar da rigidez com os alunos e da farda pesadona.

    • Carlos, comecei em 1958. Em 1960 eu fazia a terceira série do Ginasial. Terminei em dezembro de 1964. Foi quando nos envolvemos com a Ditadura. Eu já havia servido o Exército (no CPOR), ingressei na universidade e depois mudei para o Rio de Janeiro. Quem sabe, a gente se conheceu na escadaria, na cantina ou dentro dos ônibus da linha Jacarecanga, né não? Agradecido!

      • Caro José Ramos é, realmente, frequentei todos os locais citados ou então no pátio do recreio, Lembro que tinha um grupo que gostava de voltar a pé do Liceu até a Rua Guilherme Rocha, brincando, vez por outra esticando a caminhada até a bananada do Pedão pra discutir futebol. Era bom demais.

        • Carlos, fiz muito isso! Caminhava pela Liberato Barroso chutando as latas do lixo que ficava nas frentes das casas. Ia até a Praça José de Alencar. Como estudava pela manhã, sempre que saía do Liceu, já estava “azul de fome” e ia pra casa comer meu baião de dois com farofa de toucinho, tripinha de porco, passarinha de porco frita ou farofa de sardinha em conserva. Dormia e depois que acordava ia jogar bola na rua – sempre depois de fazer o “dever de casa”.

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