RODRIGO CONSTANTINO

Júlia Zanatta

Um servidor da Secretaria de Saúde de Santa Catarina, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi identificado como o autor de ofensas enviadas à deputada federal Julia Zanatta (PL-SC)

Um servidor da Secretaria de Saúde de Santa Catarina, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi identificado como o autor de ofensas enviadas à deputada federal Julia Zanatta (PL-SC). A Polícia Legislativa Federal (PLF) o indiciou por ameaça, injúria e difamação, com agravante por terem sido praticadas via e-mail e contra funcionária pública no exercício da função de parlamentar federal.

“Vai te f*der, desgraçada, criminosa, mentirosa, nojenta… Larga desse crucifixo no pescoço, sua falsa cristã”, diz trecho do conteúdo ofensivo. “Todo o apoio ao Alexandre de Moraes, aos ministros do STF, ao presidente Lula (o melhor desse país até hoje) e a próxima a ir para a cadeia será você, sua ratazana de esgoto. Ah, não… as ratazanas são mais evoluídas e não quero ofendê-las… Você não passa de uma bactéria patogênica, nociva”, emendou o agressor.

Algumas pessoas confundem liberdade de expressão com “licença para ofender”, ou críticas com xingamentos. Essa confusão causa muito mal à própria liberdade de expressão. O que os liberais sempre defenderam foi liberdade com responsabilidade. A resposta a quem é ofendido tem que ser na Justiça, não em inquérito ilegal do Alexandre de Moraes, claro. O ministro, aliás, é defendido pelo servidor.

Outra confusão comum que muitos fazem é entre liberdade de expressão e tolerância obrigatória na própria propriedade do indivíduo. Se alguém vai à conta do outro xingar e recebe um “block”, isso não é “censura”, mas o legítimo direito do proprietário da conta de manter sua página livre de ofensas. Infelizmente, há até gente que se diz de direita e que não entende isso, reproduzindo as falácias da esquerda.

Por falar em liberalismo, há uma campanha, que não é de hoje, para misturar o liberalismo clássico (que merece muitos elogios) e o “liberalismo” no sentido americano, que é “progressismo” de social-democrata. A Folha de SP faz sempre essa mistura, por exemplo. O “pai do conservadorismo”, Edmund Burke, era um liberal whig. Quem mistura deliberadamente os termos o faz de propósito, para atacar o liberalismo bom, aquele de Paulo Guedes, por exemplo, buscando confundi-lo com a turma “progressista” do Arminio Fraga. É pura perfídia…

Se o STF de Moraes confunde de propósito qualquer crítica com “ataque”, para justificar seu abuso de poder, isso não quer dizer que ataques de verdade não existam – o que não justifica inquérito ilegal e autoritário. Quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é chamada de “p*ta”, por exemplo, isso foge totalmente ao escopo de uma crítica. É ataque, sim, é injúria e merece resposta na Justiça. Os liberais clássicos entendem bem isso. Os petistas e alguns que se dizem “bolsonaristas” não. Buscam uma licença para ofender e fazem isso em nome da preciosa liberdade de expressão.

Um comentário em “LICENÇA PARA OFENDER

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