DEU NO JORNAL

Alexandre Garcia

De repente, um único juiz decide que estão anulados processos por corrupção do ex-presidente Lula, porque estariam na vara errada. Vale dizer, anuladas as condenações que haviam passado pelo tribunal revisor, o da Quarta Região, em Porto Alegre e por uma terceira instância no STJ. Ao mesmo tempo, se lança a versão de que seria para isentar Sérgio Moro de suspeição. Se assim fosse, bastaria anular o do triplex, pois a condenação do caso de Atibaia é da juíza Gabriela Hardt.

A decisão de Fachin ainda carece de muitas explicações, sobre como julgou. Fico me perguntando se a 13ª Vara não era a apropriada, porque tudo continuou, por cinco anos? A Lava-Jato, símbolo da reação do país contra uma gigantesca corrupção institucionalizada, foi sendo desmontada quando o Supremo decidiu separar a Petrobras de outros casos.

Fachin criou uma hora da verdade para Lula. Ele deixa de ser o impedido, o condenado, a vítima, para ser o beneficiado por um ministro escolhido por Dilma, ex-advogado do MST, próximo à CUT; suscita mais debate sobre o uso da Petrobras, já que o assunto se atualizou, mas, além de tudo, terá que enfrentar Bolsonaro, que já ocupou o lugar que era dele, Lula – o de ser uma espécie de esperança do povo, e que o povo chama de mito. Lula parece não ter como recusar o desafio que Fachin lhe joga no colo.

O PT já não precisa repetir o candidato que chamavam de poste. Agora o próprio Lula deixou de ser inelegível e pode disputar a eleição presidencial do ano que vem, se ele quiser. A esquerda pode continuar fracionada, com Ciro e Boulos, ou juntar-se a Lula, criando uma frente para evitar a reeleição de Bolsonaro.

Outros personagens da corrida presidencial devem estar desolados, como Sérgio Moro e João Dória. Mas sobretudo fico imaginando o que pensa o cidadão comum sobre Justiça, quando a decisão de um juiz do Supremo se junta ao auge de uma pandemia que tira vidas, emprego e renda.

2 pensou em “LAVA FICHA SUJA

  1. O poder do STF atual é avassalador. E, consequentemente, também o poder dos ministros, sendo que praticamente todos os ministros foram escolhidos pelo PT, partido que, queiram ou não detém o poder no STF. O PT indicou e o congresso aprovou. Agora a situação é crítica porque temos um congresso extremamente fraco e submisso ao STF. A solução seria o congresso se engrandecer e mudar a forma de escolha dos ministros e ao mesmo tempo modificar o tempo de permanência dos escolhidos no STF. Enquanto isto não ocorrer os escolhidos serão escolhidos ao bem prazer dos presidentes e partidos, e sempre aprovados pelos congressistas, como vem ocorrendo em todos os governos desde a constituição de 1988. Em resumo, tudo que está ocorrendo tem relação com a fraqueza do congresso, arguições extremamentes falhas e sem objetivos, somando-se isto “ao medo” que os congressistas têm do poderoso STF, tendo em vista que a maioria dos congressistas são corruptos e possuem problemas com a justiça.

  2. Agora, se os juízes, desembargadores e ministros que atuaram nas diversas fases da Lava Jato tiverem a hombridade que alardeiam ter, deveriam suspender suas intervenções em qualquer dos processos que a eles estejam afeitos, até que o supremo esclareçam se eles têm competência para atuar como magistrados, vez que pode remanescer, até, a correção dos concursos aos quais se submeteram para ingressar na magistratura.
    É bem provável que o mestre maior nesse segmento – concurso, o tofinho de mamãe dilma, reconheça a ilegalidade desses concursos, um dos quais teve o desplante de ignorá-lo, declarando-o inapto para tal mister.

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