CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

O pinheiro

Um pinheiro, ao lado da casa de meus pais me assombrava.

Era alto, imponente, ereto; bonito, como os pinheiros são e, ficava no que hoje chamaríamos de chácara dentro da cidade, bem ao lado da nossa casa.

Quando o olhava, sentia sua pose e majestade, conquistada em muitos anos de vida.

Não sei de verdade qual seu tamanho; para mim era imenso nos meus princípios de vida; afinal como comparar meu tamanho ao do pinheiro, meu tempo de vida não teria sentido.

Nunca compartilhei meu medo, quando em tempestades e ventos o pinheiro mostrava sua presença, uivando, balançando e demonstrando a fragilidade dos que embaixo dele estavam.

Meus pais, tinham outras preocupações a cuidar; operário de uma cerâmica, meu pai laborava noite e dia para nos manter, sem se preocupar com questões menores e, lógico o tal imenso pinheiro.

Em noites de chuva fortes, com ventos, ele mostrava sua força e na minha imaginação vinha em cima de minha casa; eu sentia medo e, para mim ele era indestrutível.

Criança, mal saído dos cueiros e chupeta, hoje penso e imagino, criamos um universo paralelo, com seres imaginários e amigos tais.

Tempo passou, cresci e fui cuidar de minha vida, como é a regra de quem quer ser alguém em passagem pela existência.

Um dia, sei lá quando voltei para o meu passado; ao lado um conjunto de casas, loteamento e tal; perguntei pelo pinheiro e, minha mãe respondeu:

“Deu trabalho, mas foi botado abaixo!”.

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