Caro Luiz Berto,
tomo a liberdade de enviar meus versos de “pé quebrado” para sua análise…
abraço…
inté!
R. Caro leitor, aqui não tem “análise”.
Eu não analiso nada.
Quando o leitor manda, a gente publica. Do jeito que chega aqui.
Esta gazeta escrota estará sempre aberta, escancarada, arreganhada para todos vocês.
Disponha sempre e mande as ordens!
Seus versos estão a seguir.
* * *
Quando eu morrer
Quando eu morrer
Não aprisionem meus restos
Em uma sepultura
Que pouco será visitada
E, com o tempo esquecida
Prefiro ser cremado
Para que minhas cinzas
Voem ao vento
Como minha alma, ou espirito
Ao sabor dos desígnios do Criador
Talvez sirvam de adubo
Para uma arvore que plantei
Ajude a recuperar um solo infértil
Mas, com certeza terá
Um destino mais nobre
Melhor aproveitamento
Que ficar encerrado para consumo
Dos vermes, ocupando espaço
Inútil, como são todos os cemitérios
Solitários, lúgubres, tristes
Espero que deem ao meu fim
Um destino mais produtivo
Menos oneroso e, útil
Com certeza um uso
Fecundo para todos
Bobagem restringir a sepultura
Conotação de passado
Pois nada volta, todos seguem em frente
E pouco a pouco restará nada
Do que um dia fomos, até nas memórias
Não precisarão chorar
A beira de um tumulo
Que nada representa
A não ser um lugar
Onde se presume que lá estarei
As lembranças ficarão na mente
De com quem convivi
Nos objetos, livros que li
Nas fotos e filmes caseiros
Enfim, naquilo que toquei ou produzi
Sei que amei sem saber
Fui amado sem saber por quem
Felicidades tive muitas
Compensando tristezas
Afinal a vida é uma eterna mudança
Conquistas tive, mais que as merecia
Afinal, pouco queria
Mas, dentro do objetivo
Posso dizer que as tive
Foi melhor que imaginei, num passado distante
Joguem ao vento minhas cinzas
Deixem que elas encontrem
Lugar para ficar
Representa o que o mundo espera
De nós, por não sabermos onde nos colocar
Fixar meus ossos em um único ponto
Apenas denota insensibilidade
Ao meu desejo, se posso exprimir algum
Deixem meu corpo se perder
Em inúmeras partículas
Elas flutuarão no espaço
E, saberão chegar onde quiserem
Sem um sepulcro perpetuo
Onde apenas se aprisionam ossos
Sem sentido ou destino
Jazigos serem para emoldurar
Posses, mesmo no infinito
Cinzas representam renascimento
Não delas, mas de quem delas precisam
E, por que não, voltaremos renascidos
Renascer em plantas
Que servirão para ornamentar,
Flores que serão admiradas
Ou, em alimento para necessitados
Matando a fome de desprovidos
Assim, não será preciso
Deslocamento, quase impossível
Para recordar quem fui
Apenas saudade, para aqueles
Que assim possam sentir
Basta me lembrar
Num cantinho de sua memória
E, lá estarei, sem ocupar muito
O espaço que já serão de tantos
…inté!
SP 06/08/2022