CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Vicio do sistema

Uma característica do ser humano é a negação; todos somos assim e sempre achamos culpados ou motivos para fugir de responsabilidades de nossos atos, ou justifica-los.

Quando envolve autoridade no topo do poder, complica um pouco mais, pois dele se espera atitudes e soluções, tal quando em dimensão menor se observa em uma família e, as desculpas nem sempre “colam”.

Em passado recente – haja recente nisso – o governo federal se mostrou indiferente, depois isento no ocorrido no apagão do Amapá.

Lugar distante, visto por alguns – inclusive eu – apenas em documentários – algo folclórico; mas lá estão brasileiros, que fazem parte do imenso Brasil.

O máximo que cheguei foi a Roraima, melhor Boa Vista e já me senti no exterior…

Mas, sem exotismos ou roteiros de viagem fora do eixo informado em programas de TV, esses lugares existem, lá brasileiros trabalham e ganham a vida dignamente.

Voltando ao apagão: demorou, eleições adiadas, pessoas desamparadas, caos e logo após uma solução “meia boca” acontecer, se esqueceu do nosso irmão do norte, até o próximo apagão ou um Sarney ou assemelhado voltar lá para pedir voto e nada retribuir.

Aí vem uma reflexão: somos um país imenso, onde em certos lugares nem se sabe o nome de quem manda no lugarejo, imagina do governador ou presidente do país.

Quando o Marechal Rondon se enfiou nos cafundós perdidos – fim do século XIX início do XX – viu, mas não achou nada diferente de algumas periferias da capital ou cidades maiores, enfim, buscando realizar sua missão, tais assuntos eram de somenos importância.

As periferias das grandes cidades se adequaram; os rincões continuaram esquecidos.

Leio que o presidente Bolsonaro se isentou a ou melhor, isentou o governo federal do problema ocorrido no Amapá e o agora do Amazonas; sim o problema se concentra na capital Manaus, mas existem pessoas, gente, famílias no interior do estado.

Em tese, ele tem razão; em tese ele está errado.

De tese em tese não chegamos a lugar nenhum; todos tem alguma razão e o povo desses lugares ficaram ou estão sofrendo, essa é a realidade; ficou no escuro por quase um mês; estão sem oxigênio a quanto tempo nem sabemos.

Houve negligência de alguém?

Apure-se, prenda-se, puna-se; simples assim.

Mas, que se tome atitude.

A lista vai longa, pois nada sabemos dos infelizes de lugares distantes e esquecidos, buscado apenas por alguém em busca de aventura ou curiosidades para o mundo.

A falta de autonomia de estados e municípios, submetidos ao poder central de Brasília é causa e consequência do nosso atraso, parece uma ideia logica.

A constituição cidadã oferecida é bela como utopia, mas feia em sua aplicação.

Ai, voltam as teses da culpa: o governo federal não tem culpa no ocorrido, mas se torna responsável ao ter poder centralizador sobre tudo o que ocorre nos estados e municípios e, ser obrigado a responder por problemas em qualquer canto do país; as duas teses se cruzam e, infelizmente enquanto não houver autonomia para estados e municípios, tudo cairá no governo central.

Dirão alguns: a constituição os vê autônomos, mas como ser autônomo quando mal dá para pagar o exército de funcionários que se cria ou se mantém às custas do erário público, roubado por suas excelências ou distribuído para apaniguados.

Lendo e em conseguinte entendendo o funcionamento de países de regime socialista, conclui-se que nossa constituição tem esse viés estado protetor, onde ao longo de seus artigos e desdobramentos se pretende tudo resolver através de imposições, regras e penalidades, mas sem resolver nada.

Disfarçadamente, vivemos em regime socialista onde os mais pobres ou a massa se vê obrigada a manter o alto escalão, nada recebendo de volta, seja em educação, saúde ou segurança.

Mas, é o que temos…

Se perguntarem aos políticos, dirão que tudo deve continuar igual; estados sem condições de existirem ou se manterem com renda própria, replicados em municípios idem e o povo? Ora, existe para manobra em épocas de eleição…

Pois, quem paga tudo isso?

Você contribuinte, sem choro nem vela.

Sua meta, não escrita mas implícita é gerar recursos e manter a máquina estatal funcionando.

Se reclamar, será chamado de “maricas” ou algum adjetivo que será registrado em alguma reunião dos poderosos…

Na URSS de Stalin eram chamados de magnatas, aqui são os donos do cofre, abastecido com impostos, taxas e contribuições, escorchantes e impositivos aos que nada podem reclamar, apenas continuar “contribuindo” para engordarem os porcos imaginados por George Orweel na obra “Animal Farm.”

2 pensou em “JOSÉ ALVES FERREIRA – SÃO PAULO-SP

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