CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Edson Mendes de Araújo Lima

Há pessoas que não perdem a oportunidade de “tirar ondas” com as outras. Meu amigo Edson Mendes, poeta, trocadilhista e intelectual da melhor cepa, é um deles. Gosta de se exercitar no jogo de palavras. Sempre que vê oportunidade de falha linguística, para empulhar o próximo.

Nesta crônica presto minhas homenagens ao ilustre manipulador das letras e insigne artífice das artes lítero-educativas.

Há dias fui o “sacrificado da vez” e aqui estimulo boas risadas.

Estávamos participando de uma reunião acadêmica e chegada a hora do cofibreique, pairou no ar um cheiro incômodo.

Ao cumprimentá-lo, me referi a uma velha carta que escrevi para Geraldo Mendes, com um “escorrego gramatical” “daqueles”, cujo tema focalizava a “peidaria” de um Juiz de Direito aposentado, em plena audiência criminal.

– Carlinhos, quais são as novidades?

– Só discretas “flau-tulências”, amigo! Porém, insuportáveis. Tem gente peidando aí na sala. Graças a Deus chegou a hora do cafezinho!

Por meu erro, discretamente e ao pé do ouvido, Edson apressou o reparo em minha “ratada”.

– Pensei que fosse só fla-tulências! Mas, observo que sua expressão “flau-tulências”, deve ser “algo mais” Que Deus nos acuda!

Acho que pretendo rever meus conhecimentos gramaticais, pois, ao que entendo e como bem diz o dicionário, pois o nome correto é flatulência, palavra conhecida como gases intestinais ou puns.

O médico Garibaldi me adiantou que são “ares expelidos por tripas revoltadas”, mau-cheiros expulsos pelo “cano de escape”; processo natural do corpo; mas pode ser desconfortável para o “peidante” e causar constrangimentos aos próximos infelizes.

Lembrei-me de uma das tiradas mais notáveis de Edson. Estava ele retornando ao Brasil, e ao se despedir dos colegas estudantes da Georgiatech Universit, em Atlanta – USA – ouviu, do balcão do aeroporto, em coro, a saudação da companheirada de brasileiros que lá ainda permaneceriam:

– Deus te leve insigne viandante!

Mas, logo em seguida, Edson disparou:

– E que permaneçam com Deus “insignes-ficantes”!

Esses “empulhamentos” e trocadilhismos, exigem muito em termos de inteligência e oportunismo. Edson é mestre na arte de Emílio de Miranda, um dos maiores trocadilhistas brasileiros.

Papai gostava de se referir a Emílio: “Ah, as palavras! Há dias em que apenas uma sílaba nos derrota!”

Por isso costumo afirmar que não é fácil a aplicação do jogo de palavras!

3 pensou em “JOGO DE PALAVRAS

  1. Carlos hoje resolveu abordar um tema inerente ao nosso grande Papa Berto: odores peidorificos adorados por Valter Portela, Bernardo e Maurino Jr.

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