XICO COM X, BIZERRA COM I

Um amor parecido com o que comeu as aspirinas e as receitas médicas de João Cabral me avistou ao longe e, tal qual fez com os remédios e exames de urina do Poeta, se achegou a mim com fome voraz, devorando os passos de minhas caminhadas, o suor das febres que tive, as tomografias e ressonâncias. Comeu minha pré diabetes, os Forxigas e Glifages do dia-a-dia … Saboreou, como se doce fosse, meus cartões Visa e Mastercard e o último par de sapatos que restou depois da aposentadoria. Minhas não saudosas gravatas só não foram por ele engolidas porque não mais as tenho: corteia-as (uma delas, presenteei o amigo Zelito, que ainda hoje a guarda), como que em comemoração, ao abandonar a vida burocrática. Fora isso, o amor deixou nada escapar. Empanturrou-se de minhas coisas, de quase tudo. Complacente, porém, o amor deixou intacta minh’alma. Ainda bem que não se engraçou do suspiro do beijo não dado e da saudade do que não houve … Menos mal. O amor seria tudo não tivesse tanto apetite…

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  1. Grande mestre João Cabral. Quando era consul em Sevilha, Millôr foi visita-lo. E ele passou o dia, guiando seu carro, para mostrar a cidade. Só que guiava mal pra cacete, e Millôr lhe deu esse apelido miserável,

    – O Barbeiro de Sevilha.

  2. Meu Caro Doutor Zé Paulo,

    Milor mais que certeiro
    Em sua avaliação
    Joao Cabral era ‘barbeiro’
    Ao estar na direção
    Em tudo mais foi grandioso
    Mais que isso, glorioso
    Com a caneta na mão.

  3. Pingback: O NOME DA ÓPERA | JORNAL DA BESTA FUBANA

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