Seguimos no exame do caso JK que, segundo Comissão nomeada pelo atual governo do Brasil, teria sido assassinado. Eleições são capazes de tudo. Começo dizendo que era domingo e JK voltava, para casa, já quase escuro. As colisões dos veículos ocorreram numa reta próxima de Resende (Rio). Primeiro, entre o Opala de JK e um Ônibus da Viação Cometa (com quem se chocaria, inicialmente), indo na direção SP/Rio; enquanto na outra pista em direção contrária, Rio/SP, vinha um caminhão SCANIA carregado com 30 toneladas de gesso. Foi ele o responsável pelas mortes de JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, numa segunda colisão.
Era plana, gramada e sem guard-rails, a área de separação entre as duas pistas. E também planos os acostamentos e as áreas adjacentes (mais de um quilômetro), em ambos os lados. Certo que, fosse mesmo um atentado, certamente o local escolhido para isso iria ser outro. Provavelmente uma curva, junto a precipício.
E, para quem planeja um atentado, último veículo do mundo que se utilizaria para provocá-lo seria um ônibus. Lento. Em velocidade menor que a do Opala. E cheio de passageiros (40), testemunhas oculares da tragédia. O acidente se deu com o Opala de JK invadindo a faixa da esquerda, por onde trafegava o ônibus (há fotos com marcas das tintas, provando essa batida). Talvez um cochilo do motorista. No chão ficaram as marcas dos pneus, prova inequívoca do desvio que teve o veículo da sua rota normal. Basta ver as fotos.
Dito Opala, dirigido pelo motorista Geraldo Ribeiro, se desgovernou após esse primeiro abalroamento. Ultrapassou o canteiro central e avançou pela pista contrária. Dali, em situação normal, seguiria em frente, em uma área plana e de mato baixo.
Mas o que ocorreu?, eis a questão. Provavelmente deu-se que seu motorista, passado o breve instante de torpor com o abalroamento no ônibus, terá reagido virando à direita. Para impedir que o veículo entrasse naquele mato. Com risco de furar um pneu. E no desejo de retomar sua viagem, normalmente. Passaria à esquerda do caminhão pelo acostamento, assim pensou, e voltaria depois à sua pista. Era o que desejava. Só que por azar, muito azar, chocaram-se, a parte frontal direita de seu Opala, com a parte frontal direita da carreta Scania, que vinha em sentido contrário. Por pouco, muito pouco, não conseguiu. É pena.
Já envenenamentos não produzem efeitos repentinamente. Caso ocorresse, o motorista começaria a passar mal e teria parado. Já a versão de um tiro de precisão, na cabeça do motorista de JK não se sustenta.
Primeiro, porque o crânio de Geraldo Ribeiro, se vê nas fotos da época (apresentadas no Laudo), não tinha qualquer lesão. Segundo porque, caso tivesse o motorista sido atingido por uma bala no crânio, e jamais poderia ter depois alterado conscientemente a trajetória do veículo em que estava. Como fez. Quem tiver maior interesse no caso basta acessar, pela internet, o site da CNV, com a íntegra do Laudo e seus anexos.
A história tem suas tramas. Seus designíos. E seus mistérios. Claro que o Regime Militar ficaria feliz em ver morto JK. Um risco a menos. Mas é como se o destino, esse “Deus sem nome” como queria Fernando Pessoa (carta a Henry More), tivesse agido antes. E, no fim, tudo se resumiu a só um acidente automobilístico. Às vésperas ou não de eleições, essa é a verdade.
P.S. Minha seleção seria o time inteiro do Náutico (ver o último 6 x 2). Acostumado a ser HEXA.
Levantar a hipótese de assassinato de JK, depois de todas as evidências que mostram o contrário é desperdício de tempo e dinheiro, algo comum para os militantes de esquerda.
Qual o interesse? JK nem era um esquerdista raiz.
Em época de eleição ressuscitam a estupidez e enterram a lógica! Além de toda explicação de mestre José Paulo, que esgota o assunto, pergunto: Se tinham um sniper tão bom, porque não atirou logo no JK?
Isso é excesso de falta do que fazer.