CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Ouço, desde o berço, que cidadão é cidadão e ponto final. A bem dizer, o vocábulo cidadão é bastante para abranger os brasileiros, de palácios ou de favelas, que estejam na plenitude dos seus direitos civis e políticos. Apesar disso, dia a dia cresce na mídia, televisual e de radiodifusão, a expressão cidadão “comum”.

Esse neologismo, cidadão “comum”, insinua a existência de várias categorias de cidadãos, digamos de primeira e segunda classe, aliás, aos moldes do que sucede às casas de detenção onde os presos comuns não se confundem com presos especiais, entendidos estes como sendo aqueles delinquentes que se particularizam por suas diplomações em ensino superior.

Se é verdade que no Brasil já vigoram várias categorias de cidadãos, algumas providências se impõem: a primeira é fazer isso figurar no currículo das escolas e, a segunda, é explicitar os critérios e fundamentos pelos quais os brasileiros são enquadrados numa ou noutra categoria.

De primeira classe seriam os ricos? Os políticos? Os honestos? Os cultos? Os de segunda classe seriam os pobres? Os apedeutas? Os que moram em arruamentos distantes? Os trabalhadores rurais? Apreciaria conhecer os elementos que caracterizam a sobredita expressão, cidadão “comum”.

Aliás, muito tenho diligenciado em busca do significado dessa expressão, cidadão “comum”, mas debalde. Encontrei cidadão do mundo ou cidadão do universo, (“pessoa que põe os interesses da humanidade acima dos da pátria”).

Agora, se a locução cidadão “comum” não está amparada em nenhuma explicação plausível, é invencionice que tem o dissimulado propósito de aviltar a segregação social e lembrar, de modo oblíquo, que a população brasileira é feita das classes ouro, prata e bronze, por que insistir nessa sandice dentro de um país pejado de segregações?

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