JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

PROCURA-SE UM MATEMÁTICO

Procura–se um matemático que possa encontrar resposta para a seguinte equação.

Em qualquer praia da Bahia, Ceará ou Alagoas, um coco d’água custa entre cinco a dez reais.

Em contraposição, as três barracas de coco, localizadas às margens da BR 040, próximas ao Núcleo Bandeira, DF, (avizinhadas do aeroporto de Brasília), defronte ao meu CEP, Park Way, cobram dez reais por dez cocos.

Aritmeticamente falando cada coco custa apenas UM REAL.

Elementos da intrincada equação para serem pesados:

1. Esses cocos, vendidos em Brasília por apenas um real, são procedentes dos municípios praianos da Bahia, Ceará, Alagoas, enfim do Nordeste;

2. Chegam a Brasília não pelo modal ferroviário, mas no lombo de carretas movidas a Petrobrás e muita sola de sapato para percorrer a grande distância entre o Nordeste e Brasília, DF;

3. Esses cocos, de um real, não são falsificados pois não há nenhum sinal de que tenham sido furados para serem engarrafados em Brasília;

4. Se esses cocos, da lavra do litoral nordestino, são vendidos em Brasília por apernas um real, é porque alguém está lucrando sobre um produto que deve ter custado, no coqueiral, estimativamente, vinte a trinta centavos, cada.

À vista do exposto, manda a curiosidade, — de quem comicha por saber o teor de uma carta fechada —, que se identifique alguém, um matemático, um atuário, que possa decifrar esse enigma, a razão pelo qual uma água de coco custa, nas praias nordestinas, a “desprezível” importância de cinco a dez reais, cada. Não havendo uma explicação por via das ciências exatas, resta invocar o ocultismo, o esoterismo, enfim as artes divinatórias, quiromancia, etc.

Disse-me um palpiteiro que de duas ocorre uma: ou os vendedores nordestinos de água de coco desconhecem o princípio do giro rápido da mercadoria, ou nutrem o equivocado entendimento de que turistas e banhistas (os que pagam dez reais por um coco d’água) são por essência: idiotas, dementes ou desabotinados. A bem dizer, não são loucos, mas, para os vendedores de coco, fazem o que o doido faz.

É preciso ter muito juízo para ser louco de pedir dez reais por uma água de coco, no terreiro da fábrica de coco.

15 pensou em “JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

  1. Não precisa de matemática, caro Jacob, isso é capitalismo, que segue milenarmente a Lei mais imutável do mercado, que é a Lei da Oferta e Procura.

    Os socialistas tentaram mudar a Lei, assim como o Sarney (lembra do congelamento?) e se deram muito mal.

    A solução?

    1 – concorrência ou fiscalização para ver se não há combinação de preços, o que eu acho difícil, uma vez que são vários estados.

    2 – o consumidor não pagar este preço exorbitante.

    • Ah, mais uma coisa, aqui em Rib. Preto – SP eu pago no supermercado R$ 1,60. Nas academias e praças (qdo estão abertas, o preço vai para 5 reais no mínimo.

      Na praia o coco vem gelado (muita energia para gelar) e tem que ser transportado por vendedores debaixo de sol e é o preço de um refri.

      • Oferta e demanda são as forças de mercado que garantem as determinações de preços e a quantidade de bens ofertados aos consumidores (“N” fatores vão influir no preço final. Cabe ao consumidor aceitar ou não o preço praticado. O terrível ESTADO, quando mete a colher atrapalha mais do que ajuda, conforme comprova”N” OUTROS EXEMPLOS mundo afora)…. Sancho, caminhoneiro, andava até bem pouco tempo fazendo o transporte de cocos do Nordeste para as praias do litoral paulista… Veio a pandemia e encostou o caminhão Quixote Véi di Guerra. De que vive hoje o Sancho? Se alimenta do vento estocado pela Zilma. Tempos bicudos e difíceis… Vamu que vamu, torcida brasileira, que esses caras não conseguem tirar o bom humor do Sancho, o amigo da fubanaiada..

    • Pois é …. Não precisa ser matemático pois acho que a coisa é mais simples……

      Lavagem de dinheiro com o superfaturamento……..

      Maceió, terra dos turistas e do Renan ……… Perfeito !!!!!

  2. É roubo mesmo! Parece que ser ladrão, faz parte da cultura brasileira. Alguns estudiosos místicos afirmam que está tudo conectado, e eu até concordo, mas (sanchopançudo mas), não totalmente. Não me sinto conectado a certas tranqueiras que aqui habitam. O mundo não precisa dessas coisas para sobreviver.

    • Caro Beni, A exploração de turistas ocorre em todos os lugares, quanto mais top o lugar mais caro fica.

      Vou dar um Exemplo: A mesma cerveja que é vendida a 10 reais em Ipanema- RJ a garrafa de 600 ml é vendida a 7 reais em Copacabana a menos de 3 km dali. Obviamente que o frequentador das praias é diferente.

      Um como de cerveja foi vendido na Copa do mundo a 10 reais nos estádios, enquanto que 1 km fora do estádio a lata valia 3 reais.

      Uma coisa é inevitável, V. é que escolhe onde e como vai consumir.

  3. A praia pertence a grupos organizados que ocupam a faixa de areia como se dona fosse. Nada dão em troca, exceto a extorsão do cidadão e contam a inação da administração da cidade.
    Fenômeno semelhante aos flanelinhas. Arrochadores cuja desfaçatez é diretamente proporcional a omissão geral das autoridades.
    E sintoma da insegurança pública generalizada caracterizada por concertinas de arame farpado, cercas elétricas, alarmes e monitoramento pago das residências e condomínios.
    Bem vindo a terra dos arrochadores!

    • Prezado Sani,

      Eu não sei se existe relação entre vendedores ambulantes das praias e o poder público, alguma credencial. Ou se existe alguma máfia que impede outros vendedores, que não aqueles que fazem parte, de vender.

      O que eu sei é que o vendedor tem que chegar cedo, levar as suas coisas de carro, deve estocar em algum lugar seguro, tem que manter gelada as bebidas. Ou vai de carrinho vender ou vai à pé (não dá para vender água de coco à pé). Tem dia que a venda não dá nem para comprar a comida de casa. Tem dia que arrebenta.

      É dia inteiro no sol, sem almoçar, sem banheiro. Nas praias mais top os preços do estoque e da guarda das coisas sobe. É difícil explicar como funciona o mercado para um cara de esquerda. Ele só enxerga opressor e oprimido.

      • Tranquilo. Não discordo. Mas, em Economia a gente trabalha com um troço chamado discriminação de preços. Ele faz esse mesmo esforço e vende mais barato a nativos

  4. Não e capitalismo porque este leva em conta o custo de produção. É oportunismo. O cara da praia acredita que tido mundo que está lá é turista. Como ele não pode descriminar preços, ele cobra caro. Se você disser que é nativo eles “dão desconto”. Um turista americano foi comprar uma água e o cara cobrou R$ 8,00. Eu pedi pra ele não comprar e eu comprei pra mim, por R$ 1,00. Dei a água pra ele. O cara da barraca ficou puto.

    • Maurício, o vendedor faz uma garrafa d’água a um real para os nativos? Aqui em Rib. Preto este é quase o preço do supermercado. E o cara da praia tem que fazer tudo o que eu expliquei para o Sani, comentário acima.

  5. Já faz um tempo, 22 anos, na verdade um tempão, viajei com minha mulher e meu sogro, para a terra dele. Enfim, lugar maravilhoso, Mar mediterrâneo a frente e escolhemos um restaurante para almoçar. Quando vi os preços, disse ao meu sogro: Vamos embora, aqui é caríssimo e não vale o que estão cobrando. Ele me respondeu: Não é a comida que é cara, nem o serviço. É a paisagem. Eu quero comer aqui por que vou me lembrar da paisagem e não do sabor da comida ou do atendimento. Então relaxa, eu pago. Nunca esqueci disso, mas esqueci o que comi ou como fui atendido. Só lembro daquele lugar fantástico e sua paisagem maravilhosa. Mas se já conheço a paisagem e vou no automático levo um isoporzinho com o que me interessa. Funciona para mim.

  6. É que vc não tem ideia dos impostos que eles pagam, afinal são cidadãos com todos os outros, não coitadinhos que se obrigam a viver na informalidade. alguns até dependentes de bolsa família.

  7. Por aqui, pelos lados da minha morada, também vivo a mesma dúvida. Pescadores artesanais devem ser os maiores contribuintes que o país conhece. A carga tributária sobre eles deve chegar muito próxima à desumanidade. Tanto que até quem não diferencia um peixe de uma rama de beterraba, se vê obrigado receber bolsa defeso, têm de gritar- na exigência de sagrados direitos -para receber rede de pesca e máquinas de fabricação de gelo “di grátis” do governo.

  8. Até aqui o textinho intitulado PROCURA-SE UM MATEMÁTICO, foi aparteado por vários leitores. Isso denota, de um lado, que a mente da moçada não está exatamente encolhida por causa do coranavirus e, de outro, revela palpitante interesse em debater questão relativas à vocação do solo nordestino, o coco. Aliás, nesse chão figuram muitos talentos, a exemplo, do caju, o bode, o forró, a criação musical, e um sem-fim de itens virtuosos. Desgraçadamente, a paisagem nordestina é feita também de desventura, de desvirtudes, de pecados e vícios: as secas recorrentes; a corrupção de governos; o atraso; a doença que priva a milhares do sentido da visão, a bem dizer, a escuridão do analfabetismo; as heranças colonialistas representadas, exemplificativamente, por caudilhos, felizmente em extinção, também conhecidos por coronéis do sertão que, para manter encabrestado o servilismo e a subalternidade, adotam o lema: eu te protejo, te aprovisiono o bucho desde que eu possa anular a tua vontade por meio de um cabresto em teu focinho. Mas deixemos para lá esses lamentos; não servem de alivio.
    A verdade é que o coco, mais que um relógio ou um jumento, é mercadoria de notável liquidez, é tão facilmente negociável quanto as ações da Vale. Disse-me o Carlos, dono da barraca “Coco Bahia”, próxima à minha casa, Brasília, que uma carreta de coco, no período de estiagem, é vendida em apenas quatro dias; na invernia, em dez dias. Quando uma carreta chega a Brasília dispara-se mensagem ao Nordeste para abrir a porteira da próxima carreta, e, assim, sucessivamente.
    Enquanto o bode é apetecível no Nordeste (não conheço nenhum nativo de Goiás que tenha interesse por essa carne, ao contrário) o coco é requisitadíssimo pelo Brasil inteiro. A questão é que, palpite de um leigo, o coco, (pelo visto grande negócio do latifúndio coqueiral), parece mais beneficiar o “estrangeiro” do que as populações onde os cocos são produzidos.
    Embora nada entenda da comercialização de cocos, sobremodo nas praias nordestinas, penso que os governos municipais, a exemplo das EMATERs (que orientam, que qualificam as comunidades produtoras) poderiam atreguar-se do seu remansoso conforto para juntar-se às associações de barraqueiros a fim de mapear as chagas do setor como forma de minorar as condições desses sofridos microempreendedores.

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