CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

UMA LUZ PARA SER NOTADO

Os brasileiros, por cabidas razões, se ufanam do Brasil que têm: grandioso, próspero, abundante, cujas virtudes são cantadas em prosa e verso, e cuja formação cultural resulta da miscigenação de diversos grupos étnicos: indígenas, negros, imigrantes. Mas essa grandiosidade concorre para dificultar a obtenção do conhecimento, que a todos convém, acerca desse gigante, diversíssimo: seus recursos, sua gente múltipla, seus vultos cardeais, enfim.

No concernente aos vultos, evidentemente muitos destes, os mais recortados, os mais publicizados, são por demais conhecidos dos brasileiros. Exemplificativamente: Barão do Rio Branco, Rui Barbosa, e por aí além. Porém, outros, de igual cotação, figuram na galeria dos deslembrados. Nesse rol merece citação a figura de um pernambucano de grande relevância para a história brasileira. Trata-se de José Higino Duarte Pereira (22.01.1847-10.12.1901), de particular significação nacional.

Por figurar, à época, no catálogo dos mais seletos do País, José Higino fora nomeado pelo Presidente da República, Manuel Ferraz de Campos Sales, para representar o Brasil no Congresso Pan-Americano, realizado na Cidade do México, México. Além de professor titular da Faculdade de Direito de Recife, historiador, e especialista nas línguas alemã e holandesa, José Higino, a partir de demorada pesquisa nos arquivos de Haia, coligiu avultado acervo relativo à invasão holandesa.

Tradutor de vários livros alemães, José Higino fora Magistrado de grande notoriedade, tendo sido Promotor Público em Santa Catarina e Ministro do Supremo Tribunal Federal no período de 1892 a 1897, nomeação por Floriano Peixoto. Escritor de pena brilhante, José Higino também foi Deputado na Assembleia Legislativa Provincial e Senador. Mas esse homérico José Higino sucumbiu no dia 10 de dezembro de 1901, na cidade do México, no justo momento que conduzia os trabalhos do Congresso Pan-Americano. O corpo de José Higino fora trasladado para o Rio de Janeiro.

Ao trazer à superfície, a bem dizer, a lume, este celebrado servidor do Brasil, membro da Academia Pernambucana de Letras, oxalá tenham estas irrisórias palavras a serventia de prestar justa homenagem a esse insigne escritor pernambucano, que pontuou a história brasileira com exemplos de grandeza. Aliás, a contribuição pernambucana vem de longe. A Insurreição Pernambucana, 1645-1654, expressa a gênese da nacionalidade brasileira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *