CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEBAIXO DE VARA

Mesmo ostentando a condição de desconhecedor do hermético linguajar jurídico, nem por isso deixo de expor o meu pensamento acerca da expressão “debaixo de vara”; a tomei por empréstimo do magnânimo Decano Celso de Melo para titular estas reflexões. A expressão, aliás, é chama que se mantém acesa no repertório da imprensa, inclusive porque, incomum, pasmou a todos.

Para depoentes se tornarem obedientes é mesmo necessário invocar essa ferramenta, “debaixo de vara”, mesmo que intrínseca aos estatutos jurídicos? Isso de “debaixo de vara” significa supor que todo depoente é um revoltoso e, portanto, carece de ser conduzido debaixo de escolta?

Tal expressão, ainda que inerente às legislações atuais ou pretéritas, não poderia ser maquiada por um eufemismo, uma elocução mais polida? É que, além de feia, grosseira, remete aos papéis dos capitães-do-mato, e dos feitores.

Mas não é só isso: não acode nem a magnanimidade do cargo que o Ministro ocupa, menos ainda à fidalguia, à nobreza, que representam a sua pessoa, aliás, louvada por todos, sem favor.

Infelizmente, de vez em quando abatimentos decorrem de onde menos se espera.