ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Este fim de semana estava em minha taba, abanando os mosquitos com um leque de palmeira, tomando banho de hora em hora para espantar o calor e pensando em Pindorama neste mês de setembro de 466 d.S. (depois de Sardinha). E, nesse pensar estava, também fazendo um paralelo entre a taba central, que muitas pessoas teimam em chamar de Brasília, ou BrasILHA, buscando perceber como nós, caetés, nos tornamos especialistas em embarcar no trem que vai na direção contrária de nossos interesses, mesmo sabendo que outros caetés, mais pìu grasso e com dois graus a mais de desfaçatez, se locupletam com esses erros planejados.

Tomo neste texto, um termo russo, para me referir à nossa monumental capacidade de sabotar nosso futuro, escolhendo representantes que mais lutam pelo progresso do nosso atraso. Refiro-me à palavra Intelligentsia (leia “gen”, como na palavra aguente, só que sem pronunciar o “U”). Inteligentsia, pode ser traduzida como “elite”. Mas não me refiro, e nem a palavra denota isso, como sendo uma elite econômica, ou mesmo social. O termo que mais se aproxima do vocábulo é “elite pensante”.

Relendo, naquela tarde calorenta, o professor Samuel Huntington, em um texto que ele fala sobre as guerras do futuro, uma expressão ficou marcada: “Nós sabemos o que queremos ser daqui a cem anos e sabemos o que o resto da América Latina deve ser para nós daqui a cem anos”. Alguns podem até dizer que isso é um espírito entreguista, que eu sou capacho de imperialista – bem, ainda não me ofereci, como a senadora Kátia Abreu, como capacho para que chinês pise em mim -. No entanto, a maioria das pessoas esquece de ler essa afirmativa em um contexto histórico e de possibilidades e não de probabilidades.

Os países mais desenvolvidos do mundo fizeram essa lição de casa bem cedo. Países como Alemanha, Reino Unido, mesmo a França, Rússia, Japão e até a China investiram na criação de sua “Intelligentsia”, ou de sua elite pensante, pinçados nas universidades, no meio econômico e social e, ao longo do tempo foram elitizando essa classe, de maneira que elas pudessem pensar, influenciar, inspirar e auxiliar os países a ter uma visão de futuro de longo prazo.

Lembro-me do governo George W. Bush que buscou seus principais assessores em universidades como Harvard, Princenton e Yale. A ex-secretária de defesa do governo Bush, Condoleezza Rice, saiu da reitoria de Harvard para ser uma das mulheres mais poderosas do planeta (eis um exemplo de “empoderamento” que as feministas de suvaco cabeludo deveriam seguir). Mesmo no Reino Unido de Baldwin, com a crise da guerra se aproximando, não se deixou de confiar na sua intelligentsia, pois o país já pensava, não o pós-guerra imediato, mas os desdobramentos dela para cerca de 50 anos a frente.

Retornando ao texto de Huntington, o professor fazia um exercício, que muitos chamariam de “futurologia”, Em parte isso é verdadeiro, pois esse cenário depende de muitas conjunturas favoráveis, ou, o famoso “combinar com os russos”, como se fala em táticas de futebol. Por outro lado, não deixa de parecer sensato fazer previsões e inspirar gerações futuras a tentar concretizar esses exercícios, lutando para que seu país esteja sempre na avant-gard do progresso, da ciência e da tecnologia, além da defesa de seus interesses.

Mas voltemos nossos olhos para Pindorama. Não se pode falar que a Bananolândia construiu uma Intelligentsia nacional. Ao contrário, pode-se dizer, sem medo de errar, que construímos o que eu chamo de Burritsia, como elite. E, não digo isso como um modo de ofender nossa nacionalidade caeté. O que digo, o faço com base na história da terra brasilis e sua teimosia em sempre preferir aqueles que mais trabalham e mais suor despedem para que haja o progresso de nossa miséria. E, miséria em todos os sentidos e não apenas o alimentar.

Vejamos a seguinte linha histórica. No Brasil Império, do Gabinete Alves Branco, até o Gabinete Ouro Preto, o último da fase imperial – o Gabinete Ladário nem pode ser contado, pois o Barão nem chegou a colocar os fundilhos na cadeira ministerial -, houve um ensimesmamento centrada na política da monocultura cafeeira. Essa característica própria da fase imperial levava os filhos da elite econômica a buscar profissões liberais, ou se aceitassem cargos públicos, era apenas para ficar num “dolce far niente”.

O Império, dada sua própria configuração, não conseguiu criar uma intelligentsia que se pensasse para além de uma troca ministerial. Aliás, não havia intelligentsia alguma. O que havia eram apenas parasitas que viviam no “deixe como está para ver como vai ficar”. Houvesse essa elite pensante, bem capaz de estarmos fazendo reverência a um imperador. Nenhum gabinete do Segundo Reinado teve interesse nisso. O resultado foi a débâcle do regime, e várias gerações perdidas, cada uma delas lutando pela melhor parte do Sardinha a devorar.

Com a República a coisa não mudou muito. Quando Deodoro assumiu, nomeou Rui Barbosa Ministro da Fazenda. Acreditando que dinheiro nascia como pé de alface, a política do encilhamento encangalhou a população brasileira, e o avanço econômico que vinha desde o Segundo Reinado virou fumaça. Só para citar alguns. Juscelino, ao construir BrasILHA, escolhendo o lugar quase que do mesmo jeito que se escolhe um sabor de sorvete, nomeou um compadre para assumir a estatal nascente: a NOVACAP, que está nos seus estertores e ainda não morreu, porque todo ano tunga o pagador de impostos para cobrir seus rombos.

Durante o governo militar o Brasil conviveu com uma elite pensante como um Roberto Campos, um Antônio Delfim Netto, um Alysson Paulinelli, um Golbery do Couto e Silva, mas também conviveu com tapados como um João Paulo dos Reys Veloso, Shigeaky Ueky, um Aurélio de Lira Tavares, e por aí vai. Na cleptocracia petista, Pindorama chegou ao Estado da Arte no quesito formar uma Burritsia nacional que investiria muito dinheiro para alavancar o progresso de nosso subdesenvolvimento.

Eu se me alembro do governo do boneco de mamulengo do ladravaz nove dedos, saudando uma mandioca e dizendo que uma bola feita de folha de bananeira era o ápice da civilização brasileira. Pensei comigo, na minha rede… se aquela bola feita de folha de bananeira, amarrada com cipó era o ápice de nossa civilização, então estaríamos ferrados mesmos. Enquanto a Alemanha louva conquistas como a de Max Planck, os Estados Unidos o feito de Robert Oppenhaimer e Niel Armstrong, o Brasil louvava uma quinquilharia feita de folha de bananeira que qualquer criança analfabeta de algum grotão de Pindorama sabe fazer.

Mesmo agora, no governo Bolsonaro falta a criação dessa intelligentsia que vai pensar o Brasil no longo prazo e estimular, incentivar, inspirar novas gerações a buscarem concretizar esse sonho. Ainda nos falta romper com o clichê de que a pátria é o povo com bola na mão e chuteira no pé, e que os problemas se resolvem no botequim da esquina com cerveja e torresminho. Esse é um tipo de ação que somente um estadista pode fazer, nunca um político. A formação dessa Intelligentsia é necessária para banir a Burritsia que está impregnada em todas as esferas de poder e na sociedade. Enquanto isso não ocorrer, o cheiro do churrasco do Sardinha não vai sair tão cedo de nossas narinas e a Burritsia que nos governa não vai deixar de lutar com afinco pelo progresso de nossa pobreza.

11 pensou em “INTELLIGENTSIA

  1. Olha que texto redondo…
    Como fugir dessa armadilha???
    – Professor, o que é mais importante, o povo ou a constituição?
    – Ora, o povo! A constituição é apenas a materialização da sua vontade.
    – E quem escreve a constituição?
    – Os representantes do povo.
    – E quem cuida da constituição?
    – A mais alta corte do Judiciário.
    – E o povo pode mudar a constituição?
    – Só por meio dos seus representantes.
    – E se esses representantes não quiserem mudar?
    – Aí não pode mudar.
    – A mais alta corte pode mudar a constituição?
    – Não, só podem cumprir a constituição.
    – E cumprem?
    – Não.
    – E o que fazer?
    – Bem, aí os representantes podem tirar os ministros da mais alta corte dos seus cargos.
    – E tiram?
    – Também não.
    – Mas o que fazer já que os representantes não tiram?
    – Aí você tira os representantes nas eleições.
    – Todos os representantes podem ser tirados?
    – Na verdade não. Pois dos 513 congressistas apenas 27 chegaram lá pelo voto.
    – Como assim?
    – Por causa das leis eleitorais como coligação partidária, proporcionalidade, etc.
    – E quem fez essas leis?
    – Eles mesmos, para não dependerem das eleições.
    – E por que não querem depender das eleições?
    – Porque são quase todos bandidos e ninguém votaria neles.
    – E como fazem para entrar?
    – Pagam para alguém famoso concorrer. Esse famoso consegue muitos votos e eles são automaticamente puxados e “eleitos” de mentirinha.
    – Mas aí eles não irão trabalhar pelo país, apenas para eles mesmos.
    – Essa é a ideia.
    – E quem determina os seus salários?
    – Eles mesmos.
    – Quem determina seus aumentos de salários?
    – Também eles.
    – Sério? O que mais eles determinam, quais outras vantagens têm?
    – Ah, bilhões do fundo eleitoral, bilhões do TSE, bilhões em verbas de gabinete, emendas parlamentares, comissões, benefícios, venda de tempo de propaganda a outros partidos, lobby, propinas, desvios, porcentagens em contratos bilionários, casas, carros, luxos, bebidas, médicos, dentistas, massagistas, etc.
    – Bem, já que não posso tirá-los, posso ao menos reclamar na mais alta corte do Judiciário?
    – Pode, mas não adianta. Porque além de não fazerem as leis, essa corte vive num luxo ainda maior que o dos falsos representantes. E esta corte precisa deles para garantir seus luxos, todos os seus infinitos privilégios e altos salários. Em troca a corte protege estes falsos representantes jamais julgando seus inúmeros crimes. Além disso, estes ministros são sabatinados e aprovados por estes representantes corruptos que por sua vez só aprovam ministros igualmente corruptos que aceitem “trocar favores”.
    – E o executivo pode tirar estes representantes?
    – Não. Mas o executivo pode ser tirado por eles.
    – E o executivo pode tirar esses ministros da alta corte?
    – Também não, mas pode ser incriminado por eles.
    – Bem, se os representantes do povo não representam o povo, a mais alta corte é sua cúmplice e o executivo pode se tornar refém de ambos, podendo até mesmo nem conseguir governar, o que dá para fazer?
    – Nada. Não há o que fazer.
    – Como assim, deve existir algo que possa ser feito!
    – Não. É só se conformar, obedecer às leis, dar 6 meses do que você ganha para pagar todo o luxo desses vagabundos e ficar quieto.
    – Ficar quieto?
    – Sim, para não ser preso.
    – Mas isso não é justo! Toda a população sofre horrores há décadas porque foi completamente escravizada por milhões desses bandidos que vivem no luxo, trabalham muito pouco e pretendem ser eternamente sustentados pelo sangue e suor da população!
    – É exatamente isso. Você pegou a ideia. E não há nada que se possa fazer.
    – E a única opção seria o que, o comunismo?
    – Vejo que você ainda não entendeu direito. Isso é o comunismo. A única diferença é que em países pequenos e com poucas riquezas naturais toda a população se torna rapidamente miserável. Mas como o Brasil é um dos países mais ricos do mundo nas mais diversas formas de recursos naturais as pessoas acreditam que não somos um país comunista. Mas somos.
    – E aqueles que se dizem comunistas, são o que?
    – Alguns são meros fantoches estúpidos e inconscientes, outros são cúmplices corruptos dos parasitas.
    – Mmmm!
    – A ideia era dar a impressão para a população que eram dois grupos, para fingir uma disputa, entende?
    – Claro.
    – Um grupo fingia ser de direita e o outro de esquerda. Mas na verdade ambos eram ladrões e cúmplices na implantação do comunismo no país. E a velha concepção de que o poder é como um violino..
    – Violino?
    – Sim, segura com a esquerda e toca com a direita.
    – Ahh! Igual a nossa mídia! Os patrões sempre “de direita”, mas sempre contratando apenas jornalistas “de esquerda”.
    – Exatamente!
    – Meu Deus, mas que inferno! É um verdadeiro pesadelo viver num país assim. Tem certeza de que não existe nenhuma outra saída!

    EXISTE, MAS VOCÊ APOIARIA?

    Demorei a perceber
    Sempre votei no PSDB pois achava que eram contra o PT e PeTralhas. Só depois de 2015-2016 percebi que ambos são farinha da mesma bosta, um caviar e outro mais sincero, da mortadela. Bando de inominável mente jurássica e do atraso humanoide, vil, … filos de PuTas, por opção.

    (anônimo)

    • onde está o nexo de meter o pau em tudo sem distinção e perguntar se apoiaria uma saída sem explicitá-la ?.
      Existe , mas você apoiaria ? . Apoiar o que ?.
      Um comentário longo sob o escrito sério e bem humorado do professor . Entre o escrito anônimo e seu antônimo fico pelo que é assinado , pois descreve uma opinião de forma mais clara.

    • Caro Jose Roberto

      Parabéns pelos últimos textos que tens colocado nesta escrota gazeta em forma de comentário.

      Pelo teor de seus comentários solicito que entre de sola na seção ESCREVA PARA O JBF ou requeira a Berto uma coluna para chamar de sua, pois precisamos de gente que pensa como a gente.

      Seus dois últimos comentários ficam perdidos dentro de uma postagem e muitos acessam o JBF e fazem a leitura apenas do que foi postado, sem observar os grandes comentaristas que existem neste JBF.

  2. Roque Nunes impecável como de costume. Só discordo do Delfim Neto ao lado do Roberto Campos. Delfim pode ser pensante, mas seus pensamentos são dignos de uma lata de lixo.

    • Marcelo.

      Concordo contigo quando você diz que que os pensamentos de Delfim Netto são dignos da lata de lixo. No entanto, não tira o mérito dele ter pensado o Brasil, dentro de um contexto, coisa que não existe na atualidade. Hoje, o máximo que chegamos de um pensamento articulado, nas universidades e nas rodas intelectuais é debater se um homem que se veste de mulher, bota silicone, exige ser chamado de “mulher trans”, pode, ou não competir com mulheres que nasceram com cromossomos XX.
      Essa é a diferença entre a Intelligentsia e a Burritsia.

    • Jesus, meu amigo.

      Esse ar mofino de escrever as coisas me inspirei em você e em seus poemas. Sempre alegre, sério, mas com um ar, também mofino.

  3. DOM ROQUE E DOM JOSÉ ROBERTO:

    OS MEUS MELHORES PARABÉNS!!!

    AMBOS – A SEU MODO – SE COMPLEMENTARAM AO DIZER (E, NATURALMENTE, EXPLICAR!!!) TUDO SOBRE O PORQUÊ DO QUE VEM ACONTECENDO COM O NOSSO RICO – PORÉM POBRE!!! – BRASIL!!!

    MAIS UMA VEZ:

    OS MEUS MELHORES PARABÉNS!!!

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