A PALAVRA DO EDITOR

O histórico da inflação no Brasil é claro. Aponta que desde 1930, o país vive num sobre e desce sem fim. Sem encontrar o Norte para controlar os preços. Mas, no meio das turbulências, o país, às vezes, encontra saídas lenitivas para abrandar o sofrimento no bolso. A inflação em maio, cansada de correr acelerada, diminuiu o ritmo. Com leve freada, em maio trocou a corrida pela caminhada. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou 0,13% em maio, contra o apresentado em abril, de 0,57%. Embora a redução da taxa não traga alegria para o consumidor, todavia representa uma desaceleração repentina da inflação. O consolo é constatar uma queda no nível inflacionário mensal. Situação que não acontecia há 13 anos. Afinal, desde o ano de 2006, a economia não registrava um índice mensal tão baixo. Com essa apuração, o IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga. No ano, a inflação acumulada é de 2,22%. Enquanto no acumulado em 12 meses, o IPCA foi de 4,66%.

O apanhado, embora diminuto, está dentro dos cálculos do governo que estabeleceu a meta de 4,25% para a inflação deste ano, podendo variar entre 2,75% a 5,75%. Em abril, o que pesou na balança da cesta básica foi a majoração do preço de alimentos, tomate, frutas e o feijão que apresentou melhora da colheita de maio. Outra contribuição formidável foi o do setor de transportes. As passagens aéreas ficaram mais baratas em 21,82%. Outros setores que prestaram valiosa colaboração para derrubar o IPCA em maio foram a saúde e a área de cuidados pessoais. O reajuste dos remédios constatado em abril de 2,25%, caiu graciosamente para apenas 0,82% em maio.

Os itens que se comportaram mal na apuração dos dados para o novo índice de inflação foram a conta de luz, o botijão de gás e a gasolina que mostraram rebeldia para o IPCA de maio. Perfeito vigilante do desemprenho da inflação e dos juros, o Banco Central não desgruda a atenção para esse embate. A finalidade específica é controlar a taxa de inflação. A estratégia é simples. Quando a inflação aumenta, está alta, o BC sobe os juros. A intenção é reduzir o consumo de modo a forçar a queda de preços. No entanto, quando inflação cai ou anda baixa, o BC diminui os juros com o propósito de estimular o consumo. A responsabilidade de determinar a taxa de juros é do Copom (Comitê de Política Monetária) que desde 1996 está em ação. Em maio passado, a taxa de juros ficou no patamar de 6,5%. Tomara que baixe daqui pra frente. O país precisa disso para levantar voo. Sair da lama.

*
Água é o recurso natural mais abundante na Terra. Jorra de várias fontes. Graças à água, a vida floresce no Universo. Também se faltar água, a vida desaparece do Planeta, num piscar de olhos. As diversas formas de vida, humana, animais e plantas, somem. O precioso líquido é tão importante que cobre dois terços da superfície terrestre. Até o organismo do homem anda cheinho de água e não pode secar, senão só restarão ossos. A água se apresenta sob três aspectos, estado líquido, sólido ou gasoso. Na fase líquida é incolor e transparente. Porém, armazenada em grandes volumes assume a cor azulada. Solidificada, a água vira gelo. Basta atingir zero grau Celsius. No entanto, quando a temperatura chegar a cem graus Celsius, ferve. Toda vez que a água muda do estado sólido para o gasoso, durante a baixa da temperatura, provoca chuva. Para sobreviver na antiguidade, o homem se estabeleceu na margem de rios. Sabiamente, os egípcios se fixaram nas margens dos rios Nilo, Tigres e Eufrates para não depender das chuvas. Caso haja escassez de água na lavoura, os vegetais morrem. Não produzem.

Todavia em virtude de condenados costumes, o homem já percebe que, se não tomar cuidado, a água um dia pode sumir da face da Terra. Em alguns lugares terrestres, começa a faltar água para determinadas atividade por causa, principalmente de desperdício, vazamentos caseiros, e da poluição que ameaça os mananciais. Na Ásia, o despejo de esgotos no leito de rios, afeta as reservas. Força o racionamento para manter precário consumo. Evitar o esgotamento.

A falta de políticas públicas e a redução de investimentos complica o fornecimento de água para as metrópoles. Enquanto os gestores ficarem preocupados apenas com a reeleição, a sociedade passa vexames com a falta d’água. A solução tem sido a frequência do reuso da água, particularmente na agricultura. Os agricultores de frutas e hortaliças do Ceará, mais precisamente da zona rural de Iguatu, descobriram uma tecnologia caseira. A mistura de cascalho, pedras, areia, brita, pó de madeira, esterco de gado e minhoca, excelente produtora de húmus em reservatório, faz o agricultor cearense utilizar a água que seria destinada aos esgotos, para umedecer o chão e colaborar na exploração de produtos agrícolas de pequeno porte. A baixo custo, para melhorar a renda e comprovar que a criatividade também é uma atividade lucrativa.

*
Coitada da Venezuela. Faz 10 anos passa por sufocos. Crises brabas. Padece de instabilidade social, passa por declínio político, encara grave decadência econômica. Dona de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, estimada em mais de 300 bilhões de barris, a Venezuela bota a Arábia Saudita, Canadá e Irã para trás. Depois da Primeira Guerra Mundial deu uma guinada. Saiu da dependência da agricultura para a exportação de petróleo. Em 2017, as exportações bateram na casa dos US$ 18 bilhões. Graças às vastíssimas reservas de petróleo, às imensas fontes de recursos naturais e excelente diversidade ambiental, a República Bolivariana da Venezuela vestiu o manto da riqueza. Exibiu poder econômico. No entanto, depois que entrou na onda de movimentos políticos perversos, que eclodiram no país, o cenário mudou. Radicalmente. Os consecutivos erros políticos arrasaram as riquezas acumuladas desde a crise do petróleo, em 1973. Apesar do preço do barril de petróleo explodir, não impediu a elevação dos gastos públicos, não evitou a multiplicação da dívida externa, a desvalorização da moeda local e nem a queda do poder aquisitivo da população. Até a corrupção saiu do esconderijo. Por causa de trapaças e de gestores incompetentes a indecência política alastrou-se pelo país.

As consequências negativas da instabilidade política foram imediatas. A pobreza cresceu da noite pro dia, os registros de crimes passaram do limite, em cada esquina alguém tombava sem vida, os distúrbios políticos viraram rotina. Foi justamente a desconfiança política que trouxe Chávez a tiracolo para implantar a Revolução Bolivariana, em 1998. Daí pra frente, nada mais deu certo na Venezuela. Era greve geral nacional quase todo dia. O PIB enfraqueceu, desmoronava frequentemente. Mas, os absurdos não paravam. Pelo contrário, acelerou a fuga de capitais estrangeiros, provocou mais desvalorizações da moeda. A desgraceira foi tão grande que a indústria petrolífera tomou um seríssimo prejuízo calculado em 13 bilhões de dólares. Isto no ano de 2003.

Com a chegada de Nicolás Maduro em 2013, conduzido ao cargo de Presidente por decreto e exibindo poderes especiais, a Venezuela emborcou, ante o poderio do autoritarismo. A criminalidade aumentou, a hiperinflação se fez presente e os produtos básicos sumiram em meio à onda de manifestações, protestos e tumultos. As tensões provocaram tragédias, instalaram o caos econômico, estabeleceram filas pra tudo, trazendo fome e abusos. De todos os tipos. Em 2018, a inflação fixou-se em 130.606%, totalmente fora de controle. Entre 2013 e 2017, o PIB emagreceu 37%. Por conta da busca queda, a população venezuelana vive sem água, luz e comida em casa. Sofrendo as consequências do bloqueio aéreo e naval. Devido à má gestão. No entanto, o óleo, por ser do tipo pesadão, encarece. a extração. Mas, foi a política, a responsável pela queda de produção de petróleo na Venezuela. O baixo investimento no setor, fechou mais da metade dos 70 poços de petróleo que existiam no país em 2016. Em setembro de 2018, só restavam 25 poços ativos. Com as sanções planejadas pelos Estados Unidos a tendência é a situação da Venezuela piorar absurdamente. Para comprar um rolo de papel higiênico, o consumidor leva um montão de bolívar, moeda nacional. Segundo previsão do FMI, caso o país permaneça nesta situação, a inflação é capaz de fechar o ano na casa de 1 milhão por cento. Coisa de louco.

*
No passado, devido ao atraso do país, hospital público só prestava atendimento médico a quem tinha carteira assinada. Era contribuinte da Previdência Social. Quem não se enquadrava nesta situação, sobrava. O Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social-Inamps, órgão oficial da saúde pública, só atendia trabalhador classificado. Comprovadamente empregado. Mas. Apesar da discriminação, havia respeito e consideração com a população.

O SUS-Sistema Único de Saúde só apareceu em 1988. Como é obrigação do país atender o povo nas doenças, devido à quantidade de pacientes, presta péssimo serviço a 80% da população. Em função da precariedade, o SUS é criticado por mais de 70% da população que não tem plano de saúde particular. Porém, mesmo censurado, o SUS é tido como um dos programas de assistência pública no mundo, em eficiência. A grosso modo são mais de 150 milhões de pessoas atendidas pelo SUS em diversas modalidades. Estratégia de Saúde da Família, Programa Nacional de Imunização, Programa Mais Médicos, Programa Farmácia Popular, Prevenção e Controle HIV/AIDS, Sistema Nacional de Doação e Transplante de Órgão, Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea e Rede de Atenção Psicossocial.

Para um país pobre como o Brasil, custear um serviço público tremendamente caro, é dose. Ainda mais quando é mal administrado e obrigado a prestar assistência a pessoas de reduzido poder aquisitivo que envelhecem rapidamente por falta de acompanhamento médico regular. Para 2019, a Lei Orçamentária Anual reserva R$ 128 bilhões para a saúde pública, quantia considerada insuficiente para o custeio do SUS. Faz 30 anos, os gestores classificam a saúde como despesa, embora seja investimento para os entendidos na matéria. Daí a redução da contribuição dos municípios cair para 3% e do governo federal despencar para apenas 40% dos investimentos.

Deixe uma resposta