INCÓGNITA – Luiz Guimarães Júnior

Eu vejo-a sempre no final do dia,
Quando os purpúreos flocos do ocidente
Vão descorando harmoniosamente,
Aos gemedores sons da Ave Maria.

Sua estatura de altivez sombria
Passa na vaga luz do sol poente,
Como o fantasma, a sombra penitente
Da antiga Musa solitária e fria.

Direis ao vê-la que uma aguda pena,
Que um martírio satânico e profundo
Morde-lhe as fibras d’alma e as envenena;

E ela percorre as festas deste mundo
Com a santa palidez de Madalena,
E com o olhar do Cristo moribundo.

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