Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste:
“Parece Sexta-Feira de Paixão.
Sempre a cismar, cismar de olhos no chão,
Sempre a pensar na dor que não existe …
O que é que tem?! Tão nova e sempre triste!
Faça por estar contente! Pois então?! …”
Quando se sofre, o que se diz é vão …
Meu coração, tudo, calado, ouviste …
Os meus males ninguém mos adivinha …
A minha Dor não fala, anda sozinha …
Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera! …
Os males de Anto toda a gente os sabe!
Os meus … ninguém … A minha Dor não cabe
Nos cem milhões de versos que eu fizera! …

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Poema repetido de 01/03
Vou colocar o mesmo comentário;
“Uma pessoa com depressão sente uma dor terrível
Aos outros parece coisa boba, um capricho.
Tenho para mim que é a pior doença de todas, pois rege todas as outras.
Florbela teve muitos defeitos, porém era coerente em seus poemas”.
Admiro demais a história e os poemas de Florbela, mesmo quando repetidos.
A repetição desta coluna do Pedro Malta foi barbeiragem do Editor. É a caduquice chegando…
Caro amigo Berto, fiquei viciado nos poemas da Florbela, pois ela é muito atual e tem uma personalidade que não se pode rotular de feminista, libertária, reacionária, clássica.
Bela transcende a tudo isso, pois é um gênio da literatura. Nunca vi dominar tão bem as palavras.
Pode repetir os de alguns anos atrás, pois não dava atenção na época.
Abraço.
Concordo integralmente com você. Sou apaixonado por poesia e já li inúmeros poetas. Mas Florbela é um caso à parte! Suas criações são simplesmente geniais!!!
Eu acho Castro Alves um excelente poeta, só para citar um exemplo.
Só que são temas diferentes, não dá para comparar.
O domínio da Florbela sobre as palavras e a forma como ela as compõe é algo divino.
Comparo com Bethoven, Mozart, Chopin, Van Gogh. Gênios em suas artes.
Passei a conhecer os versos cortantes de Florbela aqui na Besta. Jamais poderei ser suficientemente grato à mestre Berto e a Pedro Malta por isto.
Já desisti de tentar explicar aos outros o que sente alguém deprimido; não tenho talento para tanto. Passei a exibir os versos de Florbela; são os que mais se aproximam deste sentimento.
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