Cresce o desejo; falta o sofrimento;
Sofrendo morro; morro desejando:
Por uma, e outra parte estou penando,
Sem poder dar alívio ao meu tormento.
Se quero declarar meu pensamento,
Está-me um gesto grave acovardando;
E tenho por melhor morrer calando,
Que fiar-me de um néscio atrevimento.
Quem pretende alcançar, espera, e cala;
Porque quem temerário se abalança,
Muitas vezes o amor o desiguala.
Pois se aquele que espera sempre alcança,
Quero ter por melhor morrer sem fala,
Que falando, perder toda a esperança.

Gregório de Matos, Salvador-BA, (1636-1696)