Estamos começando o mês da nossa decisão. É a escolha entre continuar e piorar, ou mudar. Tomara que as pessoas, na hora de votar, tenham conhecimento pleno do que estão fazendo. Foi triste ver, na pesquisa Quaest, que quase metade dos eleitores nem sabe que votará em dois senadores por estado. Talvez nem saibam para que serve um senador, nem saibam o que é Senado.
Essa falta de politização faz com que a origem do poder, que é o cidadão, não exerça o seu poder, não saiba que o candidato que ele está elegendo é um empregado seu. O eleitor está nomeando; o voto é uma nomeação, e quem recebe mais procurações é quem será escolhido para governar, para fazer leis, para fiscalizar o governo em nome do cidadão. E é preciso manter esse vínculo. Aqueles que eu elegi sabem disso: são meus mandatários, e eu sou o mandante.
A falta de conhecimento também nos impede de perceber que uma ideologia pode ser produtiva ou destrutiva. Foi por ideologia que fecharam uma mina de fosfato no Rio Grande do Sul; houve até uma manifestação agora em Porto Alegre. E nós importamos fosfato da China, do Marrocos, da Rússia. Os criadores de tilápia do oeste do Paraná estão furiosos porque o governo brasileiro fez um acordo com o Vietnã, para comprarmos tilápia deles, enquanto temos a produção local. Montaram um criadouro de pirarucu no Espírito Santo, e já vieram com uma conversa de “não, não pode. Pirarucu é da Amazônia, não pode criar no Espírito Santo”.
Essa é a ideologia do ambientalismo cego. A tilápia está sendo considerada “espécie invasora” – invasor é o castor lá no sul da Patagônia, que trouxeram do Canadá e derruba as árvores. Invasor é o javali que está em toda parte, principalmente na Mantiqueira. Isso, sim, é invasor. Agora falam de “árvores exóticas”: eucalipto, jaca, até goiaba e manga entram na lista. Se for assim, o café também é exótico, porque veio da Abissínia. É uma maluquice cometida “em nome da biodiversidade”.
Eu falava com gente da Amazônia, e recebi uma dica: “Veja a queda na produção de ouro do Brasil”. Normalmente, o Brasil produz de 80 a 100 toneladas de ouro por ano, é o segundo maior produtor mundial. No ano passado, foram 71 toneladas. O que aconteceu? Os garimpos regularizados, todos da Amazônia, produziram só 5,8 toneladas. O que está acontecendo é que o maior comprador de ouro brasileiro é a China e o maior vendedor é a Família do Norte. Isso não é nome de empresa, é de uma facção criminosa, que está tirando o ouro do Brasil sem ninguém saber. E isso vai continuar, com o Comando Vermelho dominando a entrada do Rio Amazonas, onde ainda se chama Solimões, com as pistas de pouso do PCC, com os fuzis no Rio de Janeiro. É a ideologia que protege bandidos.
Que outras barbaridades se faz em nome de ideologia? Acabamos de ver esse caso do avião da FlyDubai que saiu de Dubai rumo a Tel Aviv; dos 180 passageiros a bordo, 100 eram israelenses. O copiloto, natural de Omã, era um fanático terrorista, como os do 11 de Setembro – sabe-se lá por quanto tempo ele ficou quieto, planejando, para cometer o que ele achava que cometeria. Ele conseguiu entrar com uma faca e atacou o comandante para derrubar o avião no solo; a aeronave chegou a despencar 4 mil metros em 30 segundos. A tripulação pediu socorro e um israelense acabou contendo o copiloto; ele foi recebido por Benjamin Netanyahu, ainda com a camisa coberta de sangue, e foi chamado de herói. Há ideologias que levam ao fanatismo e são pura emoção, não têm nada de razão, nem de lógica. Pensemos nisso ao escolher em quem vamos votar.