CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Um dos mais bem-feitos periódicos humorísticos do Recife. Circulou até 20.10.1909

Fernando Lobo, jornalista, escritor e produtor de televisão, (por sinal pai do cantor Edu Lobo) pessoa finíssima que conheci em 1984, por apresentação de Capiba, me disse uma frase que para mim se tornou clássica:

“Recordar não é querer que o tempo volte. É mais comparar as horas de ontem e achar graça no contraste das comparações”.

Por isso entrego aos meus leitores títulos de jornais que circularam no meu Pernambuco, para as suas comparações entre o Ontem e o Hoje.

Conheci um documentarista de grande valor: Luiz do Nascimento, uma figura que para mim se notabilizou por um trabalho que levou anos para ser concluído.

Durante tarefas comuns que exercemos no Centro de Estudos de História Municipal, como colaboradores, previ o quão seria útil seu trabalho tão abnegado: “A História da Imprensa de Pernambuco”, como o foram igualmente outros, incluindo-se Francisco Augusto Pereira da Costa e Nelson Saldanha.

Luiz do Nascimento deixou uma obra pouco comum, na qual reuniu títulos de periódicos que circularam em Pernambuco, entre os anos de 1821a1954.

Agora, dando um giro pela obra do saudoso jornalista fui encontrar verbetes interessantíssimos no sumário do seu trabalho: “Índice Alfabético dos Títulos de Periódicos que Circularam em Pernambuco”.

Aproveito para galhofar, mas falo sério quando faço comentários a respeito de comparações das épocas de ontem, com as de hoje. Por exemplo: houve jornais humorísticos que falaram sobre coisas muito sérias. Vejamos.

O jornal “Lanterna Mágica”, em sua edição nº 223, de 20 de maio de 1988, em que pese ocupar-se de temas pitorescos, comemora festivamente a libertação da escravatura.

Ora vejam! Um órgão humorístico abre uma edição inteira para comemorar o fato mais significativo daqueles anos.

Publicou em sua primeira página excelente retrato de D. Izabel, Princesa Imperial Regente do Brasil, com versos assinados por Carneiro Vilela.

D. Izabel, Princesa Regente

O jornal foi ainda mais além e fugindo de seu escopo. descreve a grande movimento de pessoas nas ruas do Recife, em 15 de maio, a entrega das bandeiras das associações abolicionistas ao Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, após a passeata das nações africanas, fatos que transformaram um jornal humorístico em algo muito sério.

Anos mais tarde falaria o artista Chico Anísio (Francisco Anisio de Paula Oliveira Filho): “As críticas mais sérias, quando ditas com boa dose de humor inteligente, atingem às finalidades com maior força”. E perduram.

Embora toda aquela edição do “Lanterna Mágica” haja se dedicado às festividades comemorativas do fim da escravatura, jamais perdeu sua essência de humor.

Vejamos os títulos de jornais, coletados por Luiz do Nascimento e por mim comentados.

ABC – Órgão Literário, Noticioso e Independente. Garanhuns. Não poderia haver título mais expressivo para tratar de literatura.

Abelha – Jornal do município de Vitória de Santo Antão, cidade destaque na produção de apicultura.

Abolicionista – Órgão do Grêmio Literário Olinto Victor, já anunciando que era jornal independente e dava apoio ao abolicionismo. Recife.

Academia Popular  Editado no Recife em 1988. Se fosse hoje teria a conotação de referir-se aos centros de exercícios físicos existentes nos bairros: as Academias da Cidade. Naqueles anos, porém, se tratava de sodalício lítero-cultural.

Afogadense – Relativo às atividades gerais do histórico bairro de Afogados, que sempre manteve intenso movimento literário. Recife.

Águia Católica – Como desconheço o teor das matérias não consigo ligar aquela ave aos temas católicos. Poderia ter sido uma pomba, que representa a paz. Recife.

Akelá – Desconheço o motivo do título. Talvez algum ditado corrente na cidade de Triunfo.

Akilo – Outro de título estranho. Se ao menos fosse “Aquilo Rôxo”, como insinuaria o ex-Presiente Fernando Collor de Melo, se subentenderia. Caruaru.

Albacora – Periódico ligado ao setor pesqueiro. Recife, 1889.

Albatroz – Órgão da União Estudantil Castro Alves. Recife.

Álbum Artístico de Pernambuco. Recife, 1888.

Álbum – Do 25° Aniversário do Caxangá Golf Club. Recife.

Álbum do Rádio. Recife

Álbum dos Acadêmicos Olindenses. Olinda.

Álbum Ilustrado do Rádio Jornal do Commercio. Recife.

Álbum Jubilar. Poderia no subtítulo haver registrado qual a efeméride. Recife.

Álbum-revista de Bezerros. Para quem desconhece poderia dar a entender que fosse homenagem aos animais. Bezerros, 1951.

Alcance – Órgão da Igreja Presbiteriana da Encruzilhada.

Aldeião – Vila de Camaragibe. Seria alguma coisa de índios?

Alegria – Órgão das Escolas Reunidas Morgado do Cabo. Cabo de Santo Agostinho.

Alfabetização: Boletim da Cruzada Nacional de Educação, Recife.

Alfaiate – Órgão Oficial da União dos Alfaiates e Classes Anexas. Veja-se como era numerosa a classe em 1878, inclusive das costureiras. Recife.

Alfinete – Jornal do Povo. Boletim dos alfaiates. Recife.

Alfinete – Crítico, Humorístico e Noticioso. Recife, 1879.

Alho – Jornal de crítica popular. Vitória de Santo Antão.

Alicate – Jornal Crítico e Independente, Petrolina.

Alma Infantil – Vitória de Santo Antão. Dedicado às crianças.

Alma Latina – Recife. Não se faz referência sobre o título.

Almanach da Botica Francesa, famosa farmácia do Recife.

Almanack Administrativo da Cidade do Recife.

Almanack Acadêmico. Recife. Não indica a academia.

Almanack – Mercantil e Industrial da Provincia de Pernambuco. Recife.

Almanack da Villa de Santo Antonio. Recife.

Almanack de Almanacks. Limoeiro.

Almanack de Artes e Litteratura – 1895. Recife.

Almanack do Americano – Recife.

Almanack do Bonito – Ano de 1920. Bonito.

Almanack do Natal. Recife.

Almanack Literário Postal Pernambucano. Recife.

Almanack Pernambuco – 1941. Recife.

Almanak da Provincia de Pernambuco. Recife.

Almanak de Lembranças – Recife.

Almanak do Jornal do Recife. Recife.

Oportunamente retornaremos ao assunto, seguindo o abecedário de Luiz do Nascimento.

2 pensou em “HISTÓRIAS PITORESCAS DA IMPRENSA

  1. São informações como estas que nos dão a consolidação do saber cultural de um povo.
    Infelizmente, nossos “educadores” modernos e enfadonhos (para não lhes dar outra e mais forte denominação), há muito esqueceram do mote que diz que um povo sem memória, não tem futuro.
    Daí, essa separação infame entre a Educação e a Cultura, que se materializou no desaparecimento do Ministério da Educação e da Cultura e hoje segue caminhos tão escusos que já não temos condições nem de imaginar.

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