
Lourival Batista e Pinto de Monteiro
Lourival Batista
Cantar comigo é um risco
quebra pedra, espalha cisco;
vem trovão, e vem corisco;
vem corisco e vem trovão;
desce água em borbotão;
as águas formando tromba
teu açude, agora, arromba
nos oito pés de quadrão!
Pinto do Monteiro
Meu açude não arromba
nem a sua parede tomba
porque dois pés de pitomba
sustentam seu paredão .
Haja pitomba no chão,
n’água rasa e n’água funda;
leve pitomba na bunda
nos oito pés de quadrão!
* * *
Miguezim de Princesa
Não me mande investir em mais ações
Porque o meu dinheirinho se acabou
E o resto do troco que sobrou
Eu comprei de farinhas e feijões
Se um dia eu sonhei com alguns milhões
Hoje eu rezo e imploro a Jesus
Que não me falte um prato de cuscuz
E o valor com que pago a minha morada
Um sapato com a sola desgastada
E a despesa pesada de água e luz.
João Paraibano
O que mais me admira
É vêr-se um sapo inocente
Que gosta de lama fria
Mas detesta a terra quente
Vendo da cobra o pescoço
Pinota dentro do poço
Pra se livrar da serpente.
Miro Pereira
O meu pai não tem estudo
Mamãe é analfabeta
Eu pouco fui à escola
Somente Deus me completa
Com esse sublime dom
De repentista e poeta.
João Abel
A patativa de gola
Nos campos da providência
Uma pequena figura
Uma larga inteligência
Canta com tanta certeza
Sem precisar de ciência.
Biu Dionísio
No varal do infinito
Uma nuvem pendurada
Parece com uma roupa
Bem confeccionada
Que Deus coseu com maestria
Para o corpo da madrugada.
Eu já passei tanta coisa
Que na vida nem pensava
Pra minha felicidade
A mulher que eu procurava
Deus teve pena de mim
Mostrou aonde ela estava.