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Getúlio Cortês visitando os amigos

Getúlio Francisco Côrtes, cujo nome artístico é Getúlio Cortês, nasceu no Rio de Janeiro no dia 22 de março de 1938. Além de excelente compositor de sacadas geniais nas histórias que conta nas letras das músicas, jogando com as palavras, é também cantor e exímio instrumentista.

É irmão do cantor e compositor Gérson Rodrigues Cortês, conhecido como Gerson King Combo, o James Brown Brasileiro, também cantor e compositor de soul e funk, exímio dançarino e coreógrafo, tendo feito muito sucesso nos anos sessenta, fazendo dublagem no programa Hoje é Dia de Rock, apresentado por Jair de Taumaturgo, um dos principais radialistas da Rádio Mayrink Veiga da época.

O início da carreira de Getúlio Cortês no meio artístico da época se deu por meio de interpretações de músicas dos grandes astros das canções norte-americanas, como Frank Sinatra, Louis Armstrong, dentre vários outros cantores de gêneros indefinidos.

Integrou nos anos 60 o grupo The Wonderful Boys, como compositor, depois se foi projetando e sendo cultuado graças ao talento para fazer composições de temas diversos, jogando com as palavras com a habilidade de um repentista, cordelista, glosador, com canções de versos curtos e precisos, resumindo sentimentos ambíguos e paixões numa só frase.

No início da carreira, teve suas composições gravadas por Renato e seus Blues Caps. E depois por Roberto Carlos. Mas foi na voz de Roberto Carlos que suas composições ganharam projeção e publicidade. Negro Gato (1968) (Uma versão da música “Three Cool Cats”, da dupla Leiber/Stoler, hit americano dos Coasters.); Atitude (1973); O Sósia (1967); (música de enorme sucesso na época, que Roberto Carlos de início se recusou a gravar ); O Gênio (1966); Noite de Terror (1965); O Feio (1965); Pega Ladrão (1966); Quase fui lhe procurar (1968); Por Motivo de Força Maior (1976), dentre outras de enorme sucesso na época na voz do Rei da Jovem Guarda. Getúlio Cortês foi um dos raros compositores que Roberto Carlos gravou duas canções em um único álbum.

Em 2002, Getúlio Cortês foi homenageado com um CD tributo “O Pulo do Negro Gato” no qual Erasmo Carlos, Léo Jaime, Renato e seus Blue Caps, Fagner, Leno, Almir, Golden Boys e Jerry Adriani relembraram seus sucessos, entre as quais, “Negro Gato”, “Pega Ladrão,” “O Tempo Vai Apagar” e “O Feio”. O CD é encerrado com sua interpretação para o tango-rock “Coração Embalsamado”, de sua autoria.

Roberto Carlos não participou. Justificou a Erasmo Carlos por telefone estar muito ocupado com os projetos dos edifícios de sua Construtora “Emoções”!

– Meu negócio é bufunfa e não homenagem, ainda mais de graça – concluiu.

Em 2008, apresentou, na quadra do G.R.E.S. Império Serrano, em Madureira, (RJ) o show “A Noite do Negro Gato”, em que recebeu amigos e o irmão Gerson King Combo, Lilian Knapp e Michel Sullivan, entre outros. Só não entrou o “rei” na homenagem porque quando o colega de surubas, Erasmo Carlos, o procurou para homenagear quem lhe projetou na Jovem Guarda, ele se encontrava “doidão”, “piradão”, no apartamento do Leblon fumando aquele cachimbo de marijuana como na capa do LP: Roberto Carlos: Pra Sempre, abraçado com a planta do edifício “Lady Laura”.

No próximo dia 22 de março de 2019, Getúlio Cortês chega aos 81 anos, e comemora também o relançamento do álbum solo, “Negro Gato” (com produção de André Paixão, direção artística do competente pesquisador musical Marcelo Fróes), com muitas histórias para contar.

Viva Getúlio Cortês!

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