CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NATAL (RN) NA LUTA CONTRA OS NAZISTAS – GUERRA E AMOR NA MAIOR BASE AÉREA AMERICANA FORA DOS ESTADOS UNIDOS.

Antes de se iniciar a Segunda Grande Guerra Mundial, Natal, capital do Rio Grande do Norte era uma pequena e pacata cidade com apenas 55 mil habitantes, menor que a Caicó e a Açu de hoje, mas já tinha um campo de pouso de aviões no (na época) distrito de Parnamirim, onde recebia voos vindo da Europa da empresa Latecoère, que se transformou em Aeropostale que foi adquirida pela Air France, e da alemã Condor, que foi adquirida pela Lufthansa, mas que continua voando com o logo da Condor. Um dos pilotos da Latecoere era Saint-Exupery, autor de “O Pequeno Príncipe”. Foi numa das passagens por Natal que Exupery viu um enorme Baobá e incluiu a árvore na história do asteroide B-612. A Lati, Linee Aeree Transcontinentali Italiane, que fazia a rota Europa – América do Sul tinha campo e hotel na base de Parnamirim, mas deixou de voar para o Brasil no início da guerra.

Hangar da LATI já ocupado pela FAB. (Foto do site Fundação Rampa)

Quando os Estados Unidos entraram na guerra, o Brasil cedeu a base aérea de Parnamirim ao militares americanos para que servissem de parada, abastecimento e descanso da tribulação que seguia para a África, a base passou a ser chamada Parnamirim Field, e pela sua importância recebeu o “título” de “trampolim da vitória”.

Parnamirim Field, com aeronaves americanas durante a segunda guerra

Parnamirim Field ficava a cerca de 20 km do centro de Natal, e era no bairro central da Ribeira que a vida fluia, longe do cheiro de combustível e do barulho das aeronaves militares pousando e decolando, que não eram poucas, a base de Parnamirim chegou a ser a mais movimentada do mundo em determinada época da segunda guerra. Essa distância não era só das poluições causadas pelos aviões, era da própria guerra, na ribeira havia amor e paz, dezenas de bordéis e bares faziam a alegria dos boys americanos, com suas boinas, óculos ray-ban e o mastigado de chiclete. Um dos bordéis mais luxuosos era o “Arpège” na Rua Chile, que foi frequentado pelos presidentes Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt, quando estes estiveram assinando uns acordos em Natal, outro, o mais famoso era o “Cabaret de Maria Boa”, que além de bordel, tinha apresentações teatrais, com danças e músicas ao vivo, igual aos cabarets franceses. As moças eram escolhidas a dedo pela proprietária, que dava aula de requinte às prostitutas para receberem os clientes com o luxo que o padrão Maria Boa exigia.

Com o final da guerra, uma grande crise financeira se abateu sobre a cidade, mas o desenvolvimento já tinha chegado, e Natal superou essa crise e hoje é um dos maiores destinos turísticos do Brasil, graças às suas belezas naturais e hospitalidade do seu povo. O costume de beber coca-cola no gargalo e as gírias dos gringos se espalharam pelo Brasil a partir de Natal, ok? by-bye, baby!

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