
O cientista pernambucano Josué de Castro
Em abril de 2011 publiquei na revista Movimentto, editada por Arijaldo Carvalho, um artigo sobre a obra do cientista pernambucano Josué de Castro: Um brasileiro múltiplo.
E agora, quando organismos internacionais se debruçam com preocupação sobre o tema da fome, cabe relembrar quem foi o ilustre médico que instituiu em vários países programas de nutrição infantil.
Com base em notas de várias outras fontes, amplio o tema atualizando meu escrito da época.
Não se confunda, porém, os momentos políticos das últimas décadas, onde muito se propala “combater a fome” através da manutenção do populismo político, fato que parece só visar a manutenção dos “currais eleitorais”.
É bem verdade que não se pode negar que a realidade exige esse tipo de ajuda às famílias, porém, não se pode esquecer a urgente necessidade de se dar continuidade aos programas de nutrição, principalmente infantil.
Hoje as ações científicas dos planos de nutrição não estão mais sob foco da erradicação e sim as doações de dinheiro às famílias desamparadas, muito longe do trabalho executado por Zilda Arns, que se dedicou às diretrizes de Josué de Castro.
Josué Apolônio de Castro nasceu no bairro das Graças, no Recife, em 5 de setembro de 1908 e iniciou estudos na Faculdade de Medicina da Bahia, aos 15 anos de idade, (com certidão de nascimento alterada por seu pai), diplomando-se médico em 1929, na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Despertado pelo conhecimento das crianças que viviam nos mocambos do Recife, ali iniciou sua luta permanente contra a fome, iniciando, com êxito, a implantação de programas de nutrição junto aos governos.
Elegeu-se Deputado Federal com vistas a promover ações administrativas, influenciando os movimentos em prol do estabelecimento do Salário Mínimo, que passou a vigorar por decreto-lei de Getúlio Vargas, em 1940.
Em 1946, quando tinha 52 anos e era Embaixador do Brasil na FAO, edita o livro Geografia da Fome, registrando as técnicas para o mapeamento da desnutrição no Brasil e indicando como balancear a alimentação dos menos favorecidos, obra que foi publicada em mais de 10 edições em várias línguas.
Sua grande preocupação com a fome no mundo era saber que tal endemia matava mais do que as guerras e os desastres naturais, tornando-se um flagelo permanente em vários países; uma tragédia biológica.
Josué de Castro participou de todos os projetos governamentais ligados à alimentação, coordenando a implantação dos primeiros Restaurantes Populares e as políticas públicas de Educação Alimentar nas escolas.
Seu momento mais representativo foi a década de 1950 quando realizou ações como Deputado Federal, que o projetaram internacionalmente.
Em 1952 foi eleito Presidente do Conselho Executivo da FAO, organismo internacional que trabalha no combate à fome, promove o desenvolvimento agrícola, a melhoria da nutrição e a busca da segurança alimentar.
Reeleito várias vezes, por unanimidade, pelo Conselho das Nações Unidas foi indicado duas vezes para o Prêmio Nobel de Medicina.
Em 1969 teve seus direitos políticos cassados por 19 anos e foi morar na França, onde trabalhou até sua morte, em 24 de setembro de 1973, quando atuava como Professor Estrangeiro no Centro Universitário Experimental de Lucennes, da Universidade de Paris.
Teria feito muito se somente houvesse escrito uma série de livros e encetado ações públicas que tiraram da obscuridade o quadro trágico da fome em nosso país e no mundo, segundo palavras de Darcy Ribeiro.
Mas foi muito mais, foi brilhante em todas as línguas!
E concluímos dizendo que o cientista Josué de Castro foi um brasileiro múltiplo, como assinalei em minha publicação de 2011, na revista Movimentto.

Zilda Arns viveu para o combate à desnutrição,, com a “Pastoral da Criança”
Parabéns Carlos. Um extraordinário resgate
Assuero. Você sempre atento!… Recebi uma coisa curiosa: nosso Brito havia escrito, há algum tempo, uma nota sobre Dr. Josué de Castro. Estou solicitando a ele porque desconhecia a publicação. Grato por seu comentário.
Bom domingo.