JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A menina no balanço

Presidente, ou Presidenta?

Afinal, o que seria da raça denominada humana, se não fosse a resolutiva interferência da Natureza na designação das coisas que nos cercam, e que estão à nossa disposição?

Por que é prazeroso para a raça humana a “transgressão, o discordar, o contrariar ou até mesmo o querer fazer diferente”?

Depois de alguns anos convivendo com a República, até poucos dias atrás viemos experimentar a “diferença” de estar sentada na cadeira de maior autoridade eleita do país, uma mulher. Nunca isso acontecera antes. Pelo menos de forma direta ou legal (sic).

Pois, entre nós brasileiros, essas aberrações (conceito meu e assumo) linguísticas começaram a acontecer e ganharam terreno entre os seguidores dos métodos paulofreirianos. Criaram, no falar e na gramática, o exuberante “Presidenta”!

Aí eu digo o meu primeiro “arre égua”!

Hoje moro em São Luís. Não há como discutir isso em meio a tanta gente que aprova a mudança. Até por que, quando alguém vai se manifestar em público para uma plateia, inicia da seguinte forma:

– Bom dia para todos e para todas!

E sou obrigado a dizer o meu segundo “arre égua”!

Quer dizer que, quando alguém fala “todos”, está falando apenas com as pessoas do gênero humano masculino?

Não me perguntem por que, pois ainda não aprendi o suficiente, nem tenho lastro para responder, mas aqui em São Luís, quase ninguém fala o “ao invés de”. Fala: “em vez de”. Eu, nesse caso, já me acostumei, e também falo “em vez de”.

E aqui não cabe nenhum “arre égua”!

Aqui faço um registro, e digo que sou leitor e fã do paraibano Ariano Suassuna, usuário contundente das boas e bem faladas palavras, principalmente dos adjetivos. Nada contra quem desdenha e minimiza a importância disso.

Prefiro usar “baitola ou lésbica”, em vez de “gay”. Uma coisa ou outra, dará sempre no mesmo. Não vai mudar a prática apreciada por alguns, que hoje formam um grande contingente nesse país.

E é aqui que coloco que estão querendo nos empurrar goela à baixo, o termo “orientação sexual” para quem faz uma “opção sexual”. Está dito lá no nosso “Aurélio”, o que significa “orientar”, da mesma forma que também está escrito o significado de “optar”. Ambos são completamente diferentes no sentido.

Quem “orienta”, ensina. Quem “opta”, escolhe. Nessa vida pregressa que me permitiu chegar onde estou, nunca tive notícia de que alguém tenha orientado outrem a ceder generosa e prazerosamente o traseiro. Não há escola, tampouco professor(a) para isso. É uma questão de “opção”.

Balança e seus penduricalhos

E por que num bloco acima citei a palavra “Natureza”?

Porque, essa mesma “Natureza” se encarregou de nos mostrar a diferença entre os gêneros, quando nos apresentou o cavalo marinho, um dos poucos ou talvez o único capacitado “para parir filhos”.

Sem pretender entrar no mérito especial do ato sexual entre um homem e uma mulher, há um passeio teórico pela configuração da imagem da Santa Ceia, com Jesus Cristo no “centro”. Esse passeio teórico mostrou no filme (claro, uma obra de ficção!) “Código da Vinci”, que realmente existe um “espaço” mais aberto ao lado direito de Jesus Cristo, simbolicamente em forma de “cálice”. E o cálice, a gente sempre soube, é algo “receptivo”. É algo que recebe, embora também “ofereça” o acesso do visitante.

Na prática do sexo, a mulher “recebe” muito mais do que oferece. E não estamos falando no sentido de oferecer carinho, receptividade, disponibilidade. Estamos falando no sentido de oferecer penetração para o visitante. Trocando em miúdos: dá mais do que recebe. É o sentido simbólico do cálice.

Eis, no meu modo de entender, o sentido do gênero masculino ou feminino. Claro que não sou o dono exclusivo de nenhuma verdade.

Entretanto existem palavras que, “aparentemente” iguais, usadas na configuração masculina tem um sentido e significa realmente outra coisa, enquanto que, usada na configuração feminina identifica algo completamente diferente.

Veja que, impulsionado pelos ventos da saudade, do amor, da inocência infantil ou qualquer outro sentido que o ambiente queira dar, “o balanço” – objeto criado para o lazer prazeroso e poético – tem adjetivação diferente da “a balança” – objeto criado para medição de algo ligado ao comércio, ou, em poucos casos, à cobrança tarifária de impostos.

Ariano Suassuna, o genial, esteve sempre completamente certo. Não há sentido algum em querer mudar a obviedade.

18 pensou em “GÊNERO – MASCULINO OU FEMININO?

  1. Ramos, cabe lembrar que essa babaquice do bom a todos e a todas, começou com o maranhense Sarney que inventou o “brasileiros e brasileiras”. O peste excluía os estrangeiros que vivem no Brasil sem cidadania, põe exemplo. Vi essa merda se repetir em vários eventos que participei na universidade.
    Em relação a natureza é isso mesmo. E a diferença entre orientação e opção está completa. Não entende quem por opção não tem orientação.

    • Assuero, lembro disso, sim! Foi isso mesmo! Quanto a escolher ou se orientar, claro que cabe à cada um. O que quero dizer é que ninguém “orienta” outrem a dar o traseiro. Quem quiser “ceder”, que o faça prazerosamente e por opção.

  2. Seu Zérramos, o mais esquisito dessa história de terem baixado até decreto mandando falar “presidenta”, é que hoje o incentivo é para tornar as palavras “neutras”, com um “e” no fim. Assim, o “boa noite e todos e a todas” está se tornando “boa noite a todes”.
    Uma besteira sem tamanho, mas que vai destruindo a língua portuguesa aos poucos (na novilíngua, seria “aos pouques”).

    • MMM: bom dia. Continuo sendo seu fã. De carteirinha que, aliás, está precisando ser renovada. O grande problema Mairton, é que isso nunca levará à nada. Pura perda de tempo!

  3. “Brasileiros e brasileiras”, ZéRamos e Ramas….Zé ergue corda bamba sobre o abismo e faz uma visitinha ao óbvio ululante de Nelson. O fubânico e genial señor Ramos abusa de estar completamente certo. Não há sentido algum em querer mudar a obviedade para agradar os “politicamente corretos (?????).

    Para falar de ZéRamos recorro a Falcão:
    O indivíduio nasce, cresce
    E adentra ao mundo social e político
    Filosófico e artístico
    Fica danado, letrado, inteligente e sabido.

    • Sancho com Pança e tudo me faz pensar em dizer apenas “arre éguas”! Vai ser bom e generoso assim lá na baixa da égua ou no cabaré do Berto!

  4. Será que os idiotas (novidade!!!) não se dão conta que o masculino e/ou feminino de uma palavra não tem nada a ver com a sua terminação.

    Quem determina e tira qualquer dúvida – se é um ou outro – é o uso do artigo definido ou indefinido que o antecede.

    Simples assim!!!

    Quanto ao final “e” neutro – e como gênero neutro não existe em português!!! – que o enfiem bem no mais fundo do olho do cu deles/delas!!!

    Que, aliás – o tomar no cu!!! – deve estar fazendo muita falta para eles/elas, daí mais um de seus sempre presentes e histéricos faniquitos.

  5. Parabéns pelo excelente texto, prezado escritor José Ramos!
    ‘Boa noite a todos e a todas!” é um modismo pernóstico, fabricado pelo Acadêmico e ex-presidente da República, José Sarney, ainda hoje seguido pelos políticos “analfas” do RN.
    Aprendemos no curso Primário, que o pronome “todos” engloba “todas”.

    A Gramática da Língua Portuguesa continua a mesma.

    Feliz Natal e um Ano Novo cheio de Esperança e felicidade, para você e seus familiares!

    Grande abraço!

    • Violante, imagine alguém, em discurso, chamar outrem de “bichinho” ou “bichinha”! Afffmaria! Agora, com ceerteza não diria nada se estivesse comendo uma carne de sol em Caicó! Pense, mermã!

  6. Obrigado Zé Ramos por mais essa pérola domingueira.

    Ler suas crônicas maravilhosas é relembrar o passado em Carpina (PE), onde nasci; e em Lagoa do Carro, onde papai tinha um sítio que até hoje é preservado com todas as suas belezas naturais.

    • Cícero, se eu tivesse dinheiro compraria um sítio num interior e me isolaria, arrodeado de livros. Mandava celular, computador, televisão tudo para os “quintos”!
      Tem hora, amigo, que a gente tem que conviver com alguns idiotas!

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