Ah, o futebol no Brasil… esse espetáculo quase sagrado que se ergueu não apenas como esporte, mas como religião de massas, ópio das multidões e fator de exclusão social velado. Desde o primeiro choro de uma criança, lá está ele: a bola rolando, a televisão ligada, o vizinho gritando, o tio comentando sobre o último escândalo do campeonato, a professora mencionando o gol de ontem… tudo conspirando para que cada ser humano, voluntariamente ou não, absorva a ideia de que amar o futebol é sinônimo de ser brasileiro, e, se não amar, você é, no mínimo, uma aberração social.
Não se engane: não é apenas amor pelo esporte. É um padrão cultural imposto com mãos invisíveis, mais sutil e perseverante do que qualquer ditadura. Cada conversa de elevador, cada intervalo de trabalho, cada reunião familiar está, de alguma forma, insinuando que, se você não acompanha o futebol, algo está errado com você. E o mais fascinante é que essa pressão nem sempre vem acompanhada de violência — é um terrorismo psicológico elegante, disfarçado de “simplicidade e paixão nacionais”.
E cá estamos nós, os insolentes; mas nós, os insolentes, os hereges do esporte obrigatório, temos a audácia de olhar além da bola. Ah, sim: ousamos explorar o mundo. E que mundo!
• Tênis: pura estratégia, reflexo, precisão cirúrgica. Cada saque, cada voleio, cada devolução é um cálculo matemático da alma. Aqui, a beleza é racional e estética — e não um espetáculo barulhento de torcedores histéricos.
• Fórmula 1: engenharia, coragem e perícia no limite humano. Enquanto uns aplaudem gols previsíveis, nós nos emocionamos com cada curva a 300 km/h, cada ultrapassagem milimétrica, cada motor rugindo como fera selvagem.
• Motovelocidade: ousadia no extremo, adrenalina sem igual. O piloto se torna poesia em movimento, voando sobre o asfalto, enquanto o resto do país segue hipnotizado por um uniforme verde e amarelo correndo atrás de uma bola.
• Hóquei, Rugby, Ski Alpino, Golf, Baseball, NFL: cada esporte com sua complexidade, sua inteligência, seu risco e emoção. Cada um um mundo próprio, infinitamente mais rico do que qualquer campeonato nacional de futebol que insiste em se repetir com a previsibilidade de novela das seis.
Nós, os heréticos, os que não nos curvamos diante do altar do Maracanã ou do Mineirão. Para nós, o mundo é mais vasto do que 11 contra 11 em um gramado. Nós procuramos a adrenalina no gelo do hóquei canadense, o cálculo preciso do golfista concentrado, a estratégia intensa de um jogo de rugby ou até a precisão quase cirúrgica do quarterback na NFL. Porque, meus amigos, a beleza da competição não precisa vir embrulhada em verde e amarelo — e sim, ela pode ser muito mais refinada, complexa e intelectualmente estimulante.
O futebol, no Brasil, transformou-se em uma espécie de grande narrativa obrigatória, uma encenação de identidade nacional que se sobrepõe à diversidade dos gostos, das culturas e, ouso dizer, das inteligências. Para os que ousam fugir do script, a consequência não é excomunhão formal, mas sim aquele olhar discreto de reprovação social, a piada indireta, a pergunta inevitável: “Como assim você não gosta de futebol?” Como se a vida pudesse ser resumida a um campeonato interminável, com gols, gritos e discussões intermináveis sobre árbitros.
E ainda assim, não podemos deixar de rir. Porque a ironia do Brasil futebolístico é tão intensa que até o mais cético se vê diante de uma comédia: está todo mundo envolvido, discutindo, apaixonado, mas, no fundo, o país inteiro está de olhos vidrados em algo que, racionalmente, é apenas uma bola sendo chutada. É um teatro magnífico, com direito a drama, tragédia e óperas de torcidas, e nós, os não fiéis, apenas observamos com um misto de divertimento e incredulidade.
Portanto, caros heréticos do esporte obrigatório: celebremos nossa rebeldia silenciosa. Que possamos encontrar adrenalina, emoção e beleza onde quisermos — no hóquei, no jazz, na bossa nova, no progressive rock ou até no silêncio elegante de uma Antena 1 tocando Nat King Cole à meia-noite. Porque nem tudo é futebol, nem tudo precisa ser futebol, e, às vezes, fugir da imposição cultural é a forma mais pura de inteligência e prazer.
E, cá entre nós, se algum dia alguém nos perguntar com aquele ar de reprovação: “Como assim você não gosta de futebol?”, podemos apenas sorrir e responder com toda elegância: “Meu amigo, prefiro o mundo inteiro à sua bola.”
Caro Maurino, já fui mais fanático, hoje em dia quem joga é a mídia, qualquer perna de pau endeusam como se fosse um fenômeno.
Cara… Sério. Eu jogava quando adolescente, apenas por falta de opções na época de colégio. Quando trouxeram o basquete, abandonei definitivamente os joguinhos de rua e de quadra.
Endeusamento de supostos fenômenos… Essa foi boa; aliás, essa foi excelente.
Irmão! Você me deixou aliviado! Pensei que era só eu que não gostava dessa chatice chamada futebol (prefiro o futsal, mais dinâmico)! Em 63 anos só fui uma vez no estádio e o jogo foi 0X0! Nunca mais! Como tenho problema sério de hiperatividade, detesto a chatice daqueles carrinhos da F1 dando voltas sem acontecer nada (prefiro Stock Car, mais dinâmico)! Não gosto de futebol americano pois aquela bosta para a todo o instante (prefiro o Rugbi, mais dinâmico)! Simpatizo com Volley e Basquete (bem dinâmicos)! Aí eu vejo uma discussão acalorada de colegas sobre o jogo de domingo, pedem minha opinião, digo que são malucos por ficarem discutindo sobre uns vagabundos correndo atrás de uma bola e que ganham por mês o que eles não ganham em um ano, e dizem que eu não entendo a “paixão” por futebol! Sou obrigado a concordar! “Paixão”, eu que sou da antiga, só entendo se for por mulher!!! Ahy! Antes que eu esqueça, também detesto aquela baitolagem chamada carnaval! Acho que sou um mau brasileiro!!!!!!
hehehehehehe!!! Compreendo!!!
Eu gosto de assistir os grandes slams de tênis. Acompanho todos que eu posso; acompanho a Tour de France; basquete, que joguei por 10 anos.
Gosto de assistir aos Jogos Olímpicos; os de inverno também; Futebol americano, às vezes; golfe, e baseball eu gosto.
Também gosto de Stock Car e sim, detesto carnaval, embora a única coisa que eu faço no sábado de Zé Pereira (quem porra é esse cara??) é colocar a música Lá Vem o Homem da Meia Noite, para acordar a minha esposa e o bloco de apartamentos onde eu resido. Apenas isso.
E eu gosto de jogar Badminton. Tenho raquetes, petecas e rede divisória. Muito bom. Acho que eu sou um péssimo brasileiro. Essa coisa de encher a paciência da esposa pedindo petiscos e cerveja gelada para ver um monte de marmanjo correndo atrás de uma porra de uma bola, não é comigo.
Comentário de alguém nos tempo atuais : ” dei uma bola pro meu filho, bola bonita, prá ver se afastava ele um pouco dos jogos de vídeos. Ele me perguntou : o que que ela faz ? Onde que liga ? ” Já antiga e manjada. Mas covfesso: também a muito tempo desisti do futebol e principalmente da seleção. Fico hoje somente com superliga feminina de vôlei, onde tem emoção e talento.
Essa crônica é de Luis Fernando Veríssimo e capta exatamente o sentimento da modernidade contra o avanço tecnológico.
E o mais interessante é o desinteresse do garoto quando pergunta ao pai onde é que a bola é ligada.
Digo e repito: Não tenho a menor paciência com futebol.
Caro Maurino.
Eu adoro futebol; joguei campeonatos até recentemente, quando o joelho me aposentou. Repito: adoro! Copa do mundo é uma catarse mundial.
Dito isso, cumpre destacar que o gosto pelo futebol e por outros esportes não não excludentes. Adoro e detesto vários outros esportes na mesma proporção e não me sinto limitado por isso.
De minha parte, não me importo com os gostos e desgostos alheios, assim exerço minha liberdade.
Fique à vontade.
Maurino, o Homem de Paulo Afonso, meu clérico amigo, excelente e contundente discorrer sobre o não amor ao ludopédio.
Maurino, o que seria da raça humana sem certas ilusões?
«O futebol é a mais importante das coisas menos importantes da vida.» Arrigo Sacchi, lendário treinador italiano.
Comecei euzinha, quando jovem, apenas para ver 22 homens suados inundando os gramados de testosterona.
Depois veio aquela seleção de 70 (magia em verde-amarelo), aquela de 82 (a tragédia de Sarriá), aquela de 94 (Romário e mais 10), aquela de 2002 (3R – Ronaldo Cascão, Ronaldinho Mago e Rivaldo Craque Silencioso).
Para os que não gostam do fut: «O mundo observado por apenas um individuo é um mundo amputado da contribuição das observações dos outros indivíduos. Por isso, alguém que tenha de avaliar sozinho o que o rodeia, e depois decidida com base no que observou, corre um enorme risco de tomar decisões erradas.»
E, por Doutor Sócrates, não posso me esquecer do meu Corinthians, dos craques inesquecíveis (cracaços Biro-Biro e Givanildo).
Sim, futebol é bom demais. “Gosto e braço, infelismente tem gente que não tem”…
Hoje Má, a Tilde, torcedora fanática da Messentina, está Maria Chuteira.
Perfeito!! Estamos em uma democracia (estamos??)!! Eu não gosto; tu gostas. E eis que nos respeitamos, sem nos conhecermos pessoalmente. Aliás, algo que me daria um imenso prazer e alegria.
Beijo-lhe as mãos de forma respeitosa.
Nunca gostei de futebol. Parece que o brasileiro se torna patriota de 4 em 4 anos! Posso estar errado mas é o mais visível!
Bom, ao fim e ao cabo tudo se resume em hemisférios corporais. Há quem seja ativo do umbigo pra cima e há quem só prefira atividades do umbigo pra baixo… A cada um como lhe convém.
Tenis hóquei hugby q porra
E essa? Quanto é uma raquete? Futebol é acessível cara, bola de meia uma lobeira qquer coisa redonda. Por isso é paixão brasileira q não tem como ir no moto velocidade ver (pagar p) aquilo e muito menos ter uma.Meu filho é mecânico, o q ele curte? Gol quadrado turbo! É o Brasil meu!
E daí??
É tua opinião e a minha, cara!!
Ponto final.