COMENTÁRIO DO LEITOR

Comentário sobre a postagem NACINHA – CUIABÁ-MT

Maurino Júnior:

A frase proferida por Lula — “Um negro sem dente não pode representar o Brasil” — não é apenas mais um deslize de retórica; é a síntese escancarada de uma mentalidade retrógrada que, paradoxalmente, se disfarça de progressista.

Se tais palavras partissem de Jair Bolsonaro ou de qualquer figura de direita, não restaria pedra sobre pedra: os jornais estampariam manchetes inflamadas, haveria panelaços, militantes em passeata, pedidos de prisão e uma catarse moral coletiva. Mas, como partiu do “líder messiânico da esquerda”, eis que surge a alquimia mágica do relativismo: a palavra “contexto” entra em cena como escudo de proteção.

Eis a hipocrisia: aquilo que, em qualquer outro, seria racismo abjeto, no presomente é apenas “uma fala mal interpretada”. Os mesmos que se proclamam guardiões da igualdade racial calam-se diante da ofensa. Os movimentos sociais, tão rápidos para erguer faixas e gritar slogans contra desafetos ideológicos, transformam-se em surdos e mudos quando o agressor veste a camisa vermelha do lulo-petismo.

Esse silêncio cúmplice é a verdadeira chaga moral. Demonstra que, para a esquerda brasileira, não é a dignidade do negro que importa, mas sim a conveniência política. Quando a ofensa vem de “um dos seus”, a militância fecha os olhos, a imprensa amortece o impacto e a máquina narrativa inventa justificativas.

No entanto, não há contexto capaz de purificar o que foi dito. A frase é cruel porque reduz o indivíduo negro à caricatura da miséria, como se a ausência de dentes fosse impedimento para representar um povo. É uma ofensa não apenas a cada brasileiro negro, mas a toda a Nação.

A marca registrada do lulo-petismo não é a justiça social que tanto apregoa, mas a hipocrisia institucionalizada, a manipulação do discurso e o relativismo moral. Lula, ao dizer o que disse, revelou mais de si do que gostaria: a arrogância de quem acredita estar acima de qualquer julgamento, protegido pelo manto da narrativa e pela cegueira seletiva de seus seguidores.

Eis a verdade nua e crua: se a frase tivesse saído da boca de Bolsonaro, estaríamos diante de um terremoto midiático; mas, como saiu da boca do “pai dos pobres”, o Brasil assiste, mais uma vez, à covardia conveniente dos que pregam igualdade, mas praticam silêncio.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *