
Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais do governo Bolsonaro, em imagem de arquivo
Agora é mais do que oficial: a Justiça americana está informando que não houve um erro ou um engano no registro falso de entrada de Filipe Martins nos Estados Unidos: foi fraude mesmo. O juiz Gregory Presnell, do Distrito Central da Flórida, foi nomeado para o cargo por Bill Clinton, democrata; nem tem nada a ver com Donald Trump. Ele trabalha muito contra a corrupção dentro do governo, acredita que alguém foi corrompido para fazer isso, e vai investigar para saber quem fez e quem mandou fazer.
O gravíssimo é que foi nessa falsidade que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, se baseou para prender preventivamente Filipe Martins. O juiz norte-americano também reconheceu esse fato; disse que o registro falso “prejudicou uma pessoa de forma considerável”, que “o governo reconhece a falsidade e a gravidade disso”, que Martins foi preso por causa desse registro e “tem o direito de saber como isso aconteceu e quem deu causa a isso”.
O advogado de Martins diz que essa verdade apareceu graças a um jornalismo corajoso e independente, que tornou possível que o mal fosse cortado. Quem faz esse “jornalismo corajoso e independente”? Quem acompanhou o caso de Filipe Marins nos lugares errados nunca soube disso, mas a Gazeta do Povo, a Oeste e outros veículos – alguns nos quais eu colaboro, outros não – acompanharam.
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Moraes pode até ter sido enganado, mas PGR e STF inverteram o ônus da prova e mesmo assim Martins foi preso
Houve, portanto, um registro falso. Se for alguém, alguma autoridade do governo dos Estados Unidos que fez isso para prejudicar alguém, eles irão atrás porque isso é gravíssimo, tem implicações para a segurança nacional pros Estados Unidos. Quem fez essa entrada, onde quer que resida, mesmo que more no Brasil, será responsabilizado. Esta é uma questão de segurança nacional dos Estados Unidos, mas também é algo muito sério para a Procuradoria-Geral da República de Paulo Gonet. Um ministro do Supremo foi enganado por isso; quem o enganou? Martins foi preso em fevereiro de 2024; isso é gravíssimo, tem de ser investigado. Moraes cometeu um erro crasso, baseado em um indício falso – nem sequer era prova. E esse não foi o único erro: o ônus da prova foi invertido, ficou com Filipe Martins. Ele até demonstrou que estava no Brasil o tempo todo, que foi de Brasília para Curitiba, de Curitiba para Ponta Grossa, mostrou registros do Uber que ele usou, a passagem de avião, mas não adiantou nada; acabou preso mesmo assim.
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Quanto os irmãos Batista pagaram para comprar a Avibras?
Os irmãos Batista, Wesley e Joesley, compraram a Avibras, que estava em recuperação judicial. Tempos atrás, a J&F colaborou em um aporte de R$ 300 milhões; agora, assumiu 100% da empresa; não sei se foi esse o preço final. A Avibras é uma indústria bélica, que produz principalmente artilharia antiaérea e terra-terra, mísseis e foguetes, não pode ter custado só R$ 300 milhões. Mas vejam a coincidência: o ministro Dias Toffoli suspendeu um pagamento, um acordo de leniência dos irmãos Batista, porque um deles tinha sido preso, fez delação, havia concordado em pagar multa de 10,3 bilhões. Será que foi só esse troquinho depois da vírgula que bastou para comprar a Avibras?