Paulo esquivou-se. O coração o impelia a ir, mas seus pés, então senhor da razão, não permitia o prosseguir. Findou por mudar de calçada. O que temia? O reencontro já fora seu sonho dourado, mas, àquele dia, não lhe faria bem, seria desapropriado: ele estava triste, sem muita motivação e não queria que ela percebesse que a idade o visitara, que seus cabelos ficaram brancos e que as rugas haviam-lhe chegado.
Fernanda, também, já tinha o branco a cobrir-lhe a cabeça e, pernas cansadas, andava lentamente, num compasso de valsa bem diferente do baião que outrora melodiava a trilha sonora de seu caminhar. Fernanda percebeu Paulo mas fez que não.
Olhou para dentro das casas e para dentro de si enquanto ele também desviou o olhar para o lado contrário da rua e para o seu lado interior, cansado e desesperançado. Fernanda desapareceu no final da rua. Paulo sumiu ao final da mesma rua, de um mesmo mundo antes tão parecido e tão diferente. A exemplo de Fernanda, Paulo também andava lentamente, num compasso de valsa bem diferente do baião que outrora também melodiava a trilha sonora de seu caminhar. Seus andares já não eram abaiãozados.
Preferiram o não atrevimento da dança. O baião sumira e a valsa quase não lhes chegava aos ouvidos …
A vida nem sempre permite a Poesia. Ideal seria se Paulo tivesse coragem e procurasse o aconchego de Fernanda e que Fernanda usasse a vivência com sabedoria, mostrando a Paulo que a vida agora não procura o veloz bailado: deseja apenas a cumplicidade do corpo e da mente.

Isso merece um romance. Falta só por no papel. Vamos esperar que o mestre Xico tenha coragem. Há braços.
Ideias, sobram; coragem, falta. Tenho um romance com início e final prontos – 14 capítulos, faltando o miolo (Bastião de Jesus Bom). Quem sabe, um dia …