DEU NO JORNAL

Nikolas Ferreira

O ministro do STF Gilmar Mendes enviou a Alexandre de Moraes uma solicitação para que o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema seja investigado no inquérito das “fake news”, por causa de um vídeo mostrando fantoches que satirizavam alguns de seus colegas da corte, cujos nomes têm sido relacionados com o escândalo do Banco Master.

É evidente que esse tal inquérito não é nada mais que uma ferramenta de uso exclusivamente político, criada e prorrogada para perseguir figuras de direita. Diversos parlamentares e influenciadores não só postam notícias e ataques falsos, como sobrevivem e buscam engajamento em cima disso, e nunca foram alvos de nada parecido.

Gilmar, provavelmente inspirado por Dilma Rousseff, quando questionado sobre o inquérito das “fake news” por uma jornalista da Globo, nos contemplou com esta resposta: “Eu tenho a impressão de que o inquérito continua necessário e ele vai acabar quando terminar”.

Sabemos que, se depender do STF, nunca irá terminar. Por qual motivo abririam mão de uma arma que tem sido amplamente usada para ampliar o autoritarismo?

Ademais, é absurdo ver que o Supremo e boa parte da imprensa normalizaram o fato de magistrados estarem dando diversas entrevistas e opiniões políticas, algo que foge totalmente da verdadeira função deles. Como parece ter muito tempo sobrando, além de fazer participações em veículos de mídia como comentarista, Gilmar Mendes passou a se preocupar com fantoches e com a fiscalização e crítica de sotaques.

Durante entrevista ao programa JR Entrevista, da Record, ao ser questionado sobre a inclusão de Zema no inquérito das fake news, Gilmar fez a seguinte afirmação: “Muitas vezes a gente não entende. Estava imaginando que ele fala uma língua do Timor-Leste, um tétum ou coisa assim. Mas, de qualquer forma, daquilo que for inteligível, é importante que a Procuradoria e a Polícia Federal apreciem”.

Os ministros nem sequer foram eleitos pelo povo, mas acham-se deuses acima de tudo e de todos, demonstrando total falta de respeito com milhões de mineiros, cujo representante, inclusive, foi eleito recentemente como o mais cativante do país.

Para piorar, ele deu outra entrevista, desta vez para o Metrópoles, e disse: “Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? Só essa questão, é só isso, é isso que precisa ser avaliado”.

Será que alguém terá coragem de chamar isso de homofobia e pedir a condenação de Gilmar com base na decisão do STF que equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, mesmo que não haja crime sem lei anterior que o defina, bem como não seja de competência do Supremo criar leis? Nesses casos, parlamentares de esquerda como Erika Hilton, que dizem defender os LGBTs, desaparecem como se nada tivesse acontecido.

Rejeitado pela maioria dos brasileiros, passou da hora de o STF passar a enxergar sua atual realidade, e começar a cuidar apenas do que é de sua competência e atuar de forma justa, imparcial e sem se envolver em escândalos. É o mínimo que repetiremos 129 milhões de vezes, se for necessário.

Um comentário em “FANTOCHES E SOTAQUE MINEIRO: OS NOVOS MOTIVOS PARA A IRA DO MINISTRO

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